Os “meios” incompletos

Estou meio... meio alguma coisa, procurando alguma forma para explicar, esse meio, essa metade que eu sou ou a metade que ainda vivo.

Estou meio feliz, meio triste, meio chorando, meio sorrindo, meio encantado, meio esperançoso, meio desigual, meio justo, meio cruel, meio legal, meio simpático, meio informal, meio apaixonado, meio apaixonante, meio fatídico, meio colorido, meio sem luz, meio claro demais, meio sem clareza, enfim, estou meio que tentando me justificar, no entanto de alguma forma estou pronto para o fim, correr para um lado, chegar em algum lugar, e esse “meio” nada mais é do que o colapso de todo nosso tempo, passagens de uma era muito distante vinda de poucos tempos atrás, é assim, variando sobre as variáveis continuas de nosso sentir, para entendermos, que tudo ainda está incompleto.

A vida não é completa até que cheguemos ao algum ponto circunstancial onde tenhamos outra opinião sobre ela, caso contrário ainda faltará algo. Senão não teria graça, ficaríamos parados anestesiados olhando pela janela toda sua preciosidade sem poder tocá-la, sem provar todo esse sabor. Quando enxergamos isso, damos um importante passo para sairmos do meio em direção ao completo, buscando encontrar o fim, nesse eterno recomeço, e quando encontramos esse fim é onde recomeçamos nos completando com a vida no conforto do seu abraço. Essa é a alusão do encontro dos seres incompletos, imperfeitos, e “meio” assim como eu. É a soma das duas metades, reduzindo a distância monocromática de um tempo separado apenas por um fio, o fio do meio medo, do meio sem saber o por que.

Quando os “meios” sem encaram, surge o completo, o completo imperfeito, é assim que nasce a perfeição, com todos os erros e acertos, mas ali, nesse ponto crucial não existe mais nada desigual, e sim um “todo”, longe de uma busca sem par, esperando no irreal o fim desejado.

É preciso continuar prosseguindo, se encontrar, sair de uma linha divisória, ser igual somado as imperfeições de outro “meio” numa mesma forma de ser. Essas são as notas de sons diferentes mas que dançam a mesma música. Os tais “meios” se completam, e com certeza algum outro te completa, mesmo você sendo meio... meio você.



Escrito por Lá de Fora às 01h29
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