Esboço de uma ideia qualquer

Quem regou a sinceridade depois de ter jogado suas sementes? Resta o acaso para nos dizer o que fazer, ou deixar o tempo sufocar todas as coisas para então tentar entender a vida?

Esperamos conclusões de outros, mas num individualismo cego olhamos para nós mesmos, pelo fato de não queremos sujar a mãos a fim de cuidarmos de uma semente. Mesmo que ela seja uma árvore pequena e seu tempo de vida se escorra rapidamente, é preciso regá-la, cuidar daquilo que está em nossas mãos; como um pássaro com asas machucadas, um dia voltará a voar, porém antes do retorno a liberdade necessita de cuidados, daí então soltá-lo para um rumo qualquer.

Vejo pessoas traçando uma ótica paralela da vida, e a observando de camarote a evolução da mesma em sua degradação contextual para perpetuar o fim. Logo se isentam da responsabilidade sobre aquela vida, sobre aquela semente que não nasceu. Dessa maneira se desprendem totalmente da qualidade de sinceros, realistas, moralistas, se tornando defensores de um raciocínio desorganizado, sem culpa, sem consciência.

É irrefutável imaginar e indagar sobre essa artimanha debandada, está tão visível, tão clara, tão real. Estamos nos tornando um consumo de sarjeta, onde a dimensão do submundo da nossa mente preenche todo o desejo de escrevermos com lápis nossas situações, como se fosse possível apagá-las a qualquer momento, e se for necessário até jogá-las fora como papel velho e imprestável. Mas não somos descartáveis.

Não existe dois “você”, duas pessoas com o mesmo desejo, com os mesmo gostos, com as mesmas vontades e com os mesmo segredos diante do espelho. Somos únicos, somos raros e insubstituíveis. As linhas da vida traçadas em cada um de nós, vai além de um rascunho amassado, espalhado em volta da lixeira, pois não existe borracha para a tatuagem dos sentimentos selados por nossas emoções.

Vivenciamos uma gravação eterna dentro de nós, onde as vozes ecoarão nos sussurros de nossos abismos até o fim de nossas vidas, sem podermos voltar atrás nas palavras, nos desenhos, nas formas, nos gestos. Os erros sempre podem ser reparados num eterno recomeço, mas nunca aja com a disposição de criar e desfazer suas bobagens se isentando de tudo com uma desculpa qualquer.

Toda ação tem seu valor e suas reações, toda semente plantada e regada, cresce e dá frutos, por isso a importância e a cautela de lhe dar com as fatos, exercendo maturidade nas convicções em relação aos outros, enxergando dentro de cada um, um cristal delicado e ao mesmo tempo um papel totalmente em branco, esperando que escrevam nele alguma história sincera, onde faça sentido, tenha começo, meio, talvez um fim, e venha assinada pelo seu autor, o “culpado” por essa marca registrada em alguém, registrada em uma pessoal qualquer, a qual, não serve de rascunho e jamais será um mero esboço.



Escrito por Lá de Fora às 01h57
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