O medo de ter medo

Quem já sentiu medo? Ou melhor, quem nunca sentiu?

Somos seres humanos, com mente, com vontades e emoções, passivos a erros, a acertos, a amar, a magoar, a perdoar, e a recomeçar. Existe uma porção de sentimentos dentro de nós, e de alguma forma aprendemos a trabalhar com eles, tentando colocá-los sob controle.

Acima de tudo isso, está o medo e ele ironicamente nos impede de ter algum controle sob todo o resto. Controle sobre o bem ou mal, sobre o amor, ou a magoa. Ele muitas vezes nos faz covardes, absolutos “covardes corajosos”. Assim como alguém que no seu ápice de desejos indescritíveis, com aquele friozinho na barriga, espera um momento ou uma brecha para rasgar o seu coração, falar de si mesmo e tudo mais que venha do íntimo de sua alma, no entanto, pára no medo, fica ali pronto para explodir de emoções sem razões. É o medo.

É difícil controlá-lo, assim como é difícil controlar tudo que eu sinto. Me faltam tantas palavras, tenho certeza que posso resumi-las em algo pequeno onde suas proporções serão tão grandes quanto tudo que há dentro de mim, ou seja, a simplicidade de ser o que eu sou pode mudar uma história, uma vida, ou várias, mas o medo tampa essa visão. Agora me pergunto. Medo do que? De quem? E por quê? Pois tudo pode ser mais bonito, agradável e claro como o Sol.

Acho que esse medo bobo, persuasivo, mas insignificante, me serve de inspiração, vou deixar de acreditar nos erros do medo, nas impossibilidades geradas por ele. Essa covardia eu vou transformá-la em coragem, algo para me deixar ligado e não errar.

Preciso tirar uma conclusão desse texto esdrúxulo, na verdade não sei por onde começar. Será o medo? Não. São muitas palavras, algo difícil de sintetizar apenas aqui, porém eu sei o que estou sentindo, por mais que os receios queiram tomar conta, existe algo verdadeiro, longe da superfície da paixão fria e passageira, longe das modas ou de uma beleza inexistente que criamos; perto sim da preciosidade de todo o seu olhar e ouvindo o sussurro da sua voz. É como enxergar num deserto uma linda flor multicolorida tão notável ao ponto de mudar qualquer cenário. E á minha volta tudo está diferente. Subitamente, passei a sentir essa mudança tão sublime, tão real, absolutamente real. É fato. E é fato também de que mudou o meu cenário onde o medo não aparece mais. Jamais.

 



Escrito por Lá de fora às 22h09
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