Em meu momento

No meu íntimo há um encontro informal, sublinhado com a cordialidade do Amor, um desejo iluminado como a Lua em meio à noite, olhos brilhantes em uma corte sem palavras é o que me fascina nas luzes dessa menina meiga e provocante, se fosse possível ficaria parado em sua frente por toda a vida sem desviar o olhar se quer um segundo.

A falta que me faz é instantânea, sutil, suave, esse é meu momento, algo só meu e longe de um egoísmo fatídico ou ridículo de ser, mas preciso disso, dessa dose de pensamentos oblíquos que me levam até você.

Não entendo; os caminhos que me acolhem traçam uma direção imperfeita, no entanto desenham sobre o céu o retrato de uma flor com seus cabelos de algodão, incoerência ou não, me fazem convicto dessa princesa, viva em cada fôlego meu.

Estou aqui, num campo vasto, complexo e cheio da carência da sua forma de me amar, e não demora a bater a saudade, nesses passos escritos em verbos, numa poesia antiética para o saber, nem eu compreendo direito, por isso ao procurar entender volto sempre a esse ponto; o meu encontro contigo.

Vejo de uma maneira embaçada, como se enxergasse nas nuvens apenas o que me agrada, ou a forma que exprima as loucas idéias ponderadas por um encanto, as quais são criadas a cada dia que venho até aqui.

Quero devolver todo o bem que me faz, pegar em suas mãos, sentir a leveza de sua pele, penso ainda o quanto você está longe, mas sinto sua doce voz ecoar dentro do meu silêncio, trazendo suspiros profundos num compasso acelerado dos mistérios do coração.

Pareço um pouco desajeitado no meu jeito de ser, para consertar tal fenda escrevo certas coisas, talvez um pouco menos desajeitadas, e que cabem nessa hora, ainda é um encontro invisível a olho nu, como se fosse uma correspondência particular, escrita por mim mesmo; claro, nunca poderia te entregar, senão me deixaria um tanto distante de você, sendo assim prefiro eu mesmo ler essa carta simples e discreta.

Nisso eu deixo apenas a sombra de alguém que ainda pronuncia a cor rosada e suave do seu rosto, pétalas de açucena, singular nesse campo vasto. Quem fala é o meu íntimo, o meu momento nesse instante contigo, e nessa lucidez um tanto fora da razão vou somando em versos a carência da sua forma de me amar.



Escrito por Lá de fora às 00h00
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