Retrato falado de saudades futuras

 

Estou com saudades. Saudades de um alguém, pérola perdida nos meus segredos, estou com saudades do novo, das maneiras inéditas de viver, algo além da abastança de pensamentos do passado. Saudades de um parto ainda inexistente, saudades do bebê que ainda não nasceu, daquele choro de criança.

 

Tantas vezes me pego numa saudade absurda, de algum modo fora do tempo, fora do corpo e da alma, com certa relevância numa situação de nostalgia fixada longe das horas passadas.

 

Será tudo isso matizes de desculpas para voltar a escrever por você, ou melhor, para você? Tudo não passa de um sentimento que vem apenas trazer a tona o que estou tentando esquecer. Ele renasce em forma de palavras e gritos mudos.

 

Cada momento me traz o seu rosto, como num espelho reluzente, brilhando para mim com todos os detalhes, detalhes estes que ainda não vi ou nunca toquei, porém sinto todos grifados em mim, é o desenho de sua beleza que está marcado. Novamente sinto saudades.

 

Não me canso de dizer para mim mesmo, é preciso esquecer o inesquecível. Eu tenho essa absoluta certeza; no entanto eu sei, é realmente impossível. Essa certeza não me deixa te abandonar, pego em suas mãos e te levo nos meus sonhos nas viagens surreais, assim posso estar bem mais perto de você.

 

É inacreditável como certas coisas têm o poder de nos conduzir a estranhas doses de sedução, de loucos desejos, de formas muito além dos séculos vividos. Quero te ver depois “daqui”, depois de todos os anos, depois de todas as datas, um Amor sem horas, sem limites impressos nos manuais de sobrevivência de uma sociedade moderna.

 

Para mim fica confuso e cada vez mais difícil me explicar, até mesmo de me entender, meu mundo agora parece um absurdo de palavras repetidas, onde o verbo é o seu nome. De repente me pego imaginando em mais algumas frases trocadas para escrever, trilhando um caminho para chegar até ai e encurtar essa distância mais curta do que nunca; é uma distância onde o divisor de águas é a velha saudade. E é imperativo dizer: são saudades dos seus olhos, da sua boca, do seu gosto; esse favo de mel nunca provado é um mistério para mim, entretanto eu tenho saudades, são as minhas saudades futuras.

 



Escrito por Lá de fora às 01h50
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