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De volta ao mesmo Natal de todos os anos Felicidade viva nos sacos de presentes, nas lojas, nos shoppings decorados. Essa época salienta o calor humano, o qual vem apenas para aquecer os corações dos investidores e empresários, sustentando assim as bolsas de um mundo em crise, trazendo de volta o Bom Velhinho que foge de um pólo norte derretido. Todos nós sabemos que o espírito natalino não passa de uma obsessão por vender e comprar, disseminando o consumismo mascarado, injetado em nossas mentes inocentes desde criança, na forma de um velho bondoso com sorriso solidário, esbanjando fraternidade e amor ao próximo. Uma mentira das mais absurdas para esconder um capitalismo suja e guloso. Palavras doces e singelas soam como o toque dos sinos, anunciando o nascimento fictício do menino Jesus, onde em sua manjedoura hoje explodem homens-bombas. Mas olhemos a beleza da contradição, as crianças negras, ou melhor, afro-descendentes terão bolas, bicicletas, videogames, e serão felizes como devem ser, pelo menos no dia 25; logo depois tudo passa e fica esquecido dentro da roda gigante da sociedade. As crianças continuaram na rua, os pais de família desempregados, as cestas básicas duraram até o quinto dia útil de janeiro e depois é cada um por si, aliás, nunca deixou de ser. O ator que aparece no comercial, todo charmoso e bem maquiado, tenta nos convencer com o roteiro em mãos: "Esse Natal vai ser diferente, pode ser melhor com a sua ajuda. Colabore!", e eu pergunto: E depois de tudo isso, e os outros dias do ano? Ele me responde: "O problema não é meu, já basta eu estar aqui sem ganhar cachê, cala essa boca e ajude". Mas é preciso esse apelo, uma cara conhecida funciona como boicote para nos entusiasmar a comprar, fingir caridade e manter aceso dentro de nós a chama da oniomania. Tudo isso não passa de um remorso mundial, onde os egoístas e fúteis tentam se desculpar por todos os outros dias do ano; bolas coloridas, presentinhos e lembrancinhas, borram as sujeiras desse mundo sem valores concretos. Um conjunto de vazios recheia os porcos e perus difíceis de engolir. Abraços sem afago, sorrisos fajutos para a foto, desejando ao próximo os mesmo clichês de outrora, esse é o espírito festivo, carinho obrigatório que cultiva uma mentira social e também religiosa. São as trapaças do consumismo em suas modas e hábitos, para o rico sustentar sua felicidade a qualquer custo e o pobre se conformar com presentes baratos. Mas o importante mesmo é celebrar a "vida", um nascimento construído artificialmente. A noite feliz reina apenas nas cantigas do coral, a mágica do Natal nem cola mais, sempre com os mesmos truques, tudo do mesmo jeito, só mudam os anos. O encanto fardado de boas novas já se perdeu e o Papai Noel dos sonhos, que jamais passou de casa em casa, nunca existiu.
Escrito por Lá de fora às 16h10
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O mercado de esperanças Essa semana eu tive o desprazer de assistir um programa na TV apresentado por dois caras, trajados de altos padrões, auxiliando os telespectadores num “Help espiritual” coisa de empresários da fé, o que me fez perder um tanto de minha calma segundos antes de vomitar toda minha janta. Nos minutos que perdi despercebido naquele canal, fui contrariado com palavras medíocres e ilusórios do tipo (não vou citar todas, pois o lixo era muito grande), “Venha até o Santuário de deus para resolver seus problemas financeiros. Seja grande e bem sucedido. Veja agora o depoimento de Dona Rita, ela tinha problemas e hoje, tem funcionários, tem sucesso, por que ela mudou de atitude, mude você também irmão”. Seguindo essa paródia sem compasso, a fala dos dois ia piorando, ficando ainda mais suíno: “Ela andava de a pé, trabalhava de tudo que aparecia”. Como se nenhum brasileiro hoje em dia fizesse isso. “Ela só tinha um teto para morar e comia com os pais”. Puxa que horrível ter um teto para morar e um lugar para comer, creio que se esqueceram dos moradores de rua ou dos miseráveis africanos, ou ainda das sábias palavras da bíblia: “tendo o que comer e o que vestir, esteja satisfeitos”. Quanta incoerência. Mas queridos, não podemos nos irritar, por incrível que pareça para a Dona Rita, isso era algo humilhante, mas tudo mudou e agora ela tem até carro e casa própria, é uma microempresária e dizimista fiel com 20% ao mês. Fenomenal não acham? Mas como se repetia continuamente no programa: “Ela usou a fé”. Uma situação degradante a meu ver, um telhão com jóias, carros e mansões ao fundo, numa imagem “meramente ilustrativa”. Já os dois “pastorzinhos” completavam em suas orações de roteiros. “Deus tire esse pensamento POBRE” e prosseguia. “Liberta da POCA COISA”. Acho que “POCA COISA” é uma gíria desses tesoureiros pançudos. O que me tirou o sono e me fez escrever esse texto às 3 horas da manhã, foi a desconsideração da fé do ser humano e o pouco caso com a dor e o sofrimento de Jesus (aquele que tanta se prega no cristianismo) um neoliberalismo econômico pelos mercadores de fé. È humilhante creio que Deus esteja se remoendo nos céus vendo tal situação deprimente e nojenta. Se esqueceram que Cristo é uma antítese de tudo isso. Ela era Deus, tornou-se homem, foi cuspido, mal tratado, andou com os pés sujos, descalço, não tinha onde dormir, foi surrado, sangrou numa cruz pesada, a qual carregava para sua morte. Que ironia. Ele era Deus, tinha o mundo em suas mãos, mas trocou tudo por uma vida simples. Entretanto não podemos esquecer, Ele ressuscitou. E Ele mesmo disse que se alguém quer ser o maior que seja este o menor. Melhor exemplo não existe. O próprio Cristo disse: “Vende tudo que tens, dêem aos pobres e me sigam”. “É mais fácil um camelo passar pelo burraco de uma agulha do que um RICO entrar nos céus”. E então como me explicam isso? Será que o tal “cristo” que eles dizem ser o “todo poderoso” só funciona como desculpa para os 318 e empresários metidos a crentes? O que me parece é que esses tais contabilistas convertidos querem entrar no céu com TUDO que tem direito, seguindo os seus ditos: “O melhor dessa terra”, que fiquem com tudo, nessa visão materialista e egoísta. Necrose espiritual. Pelo amor de Deus, onde está o céu que se pregava outrora? E a frase, “Buscais primeiro o reino e todas as coisas vos serão acrescentadas”? Qual o foco? É a grana? Sim, é a grana, infelizmente um absurdo de alto clero. Falo agora para os caros amigos (literalmente muito caro) do “Help espiritual”, o céu é ruim, acho que por isso vocês não falam mais nisso. Lá não tem iates ou mansões milionárias, lá em cima as jóias não são valorizadas, isto seria um mau negócio para acionistas e negociantes como vocês, fiquem aqui com toda essa mísera terrinha, fiquem sim e dêem lugar aos outros que estão caminhando, eu peço, por favor, saiam do caminho. Sinceramente não sei como terminar esse texto, na verdade se eu contar aqui toda minha injúria com certeza serei chamado de erêge, de mente pequena. Mas o deletério é grande, forjado nas orações hipócritas desses “pastorzinhos” com suas incógnitas divinas. A lucidez parece estar submetida a mentiras mais verdadeiras do que nunca. Um “envangeliques” com o estandarte do capitalismo religioso, santificado pela lei de oferta e procura desse mercado de esperanças. Não quero aqui julgar o sentimento ou a Fé de ninguém e muito menos o trabalhar de Deus na vida das pessoas; só falo o que todos vêem, mas não enxergam. E mesmo com um resquício de compaixão eu vomito em cima dessa esperança comprada, da extorsão divina, do roubo o céu, desses clones de Judas, dos traidores, das moedas de prata. Vomito em cima desses estelionatários da Fé.
Escrito por Lá de fora às 00h30
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