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A minha fuga Nos meus gritos ensurdecedores nesse submundo dos surdos, vou ferindo minha raiva, fúria e solidão em pleno combate. Ante essas lutas, estranhos pensamentos e imaginações fazem um coquetel exuberante com os reflexos de um caos vivido em cada momento. Um desses pensamentos é o de fugir. Estou cheio da falsidade do teatro, das novelas, das peças pregadas pela vida contemporânea, quero fugir desse mundo nem que seja por um instante, um único segundo; pra onde ir eu não sei, sinceramente não tenho a mínima idéia talvez eu nem saia daqui e fique apenas numa viajem ao longo do piscar dos meus olhos. Sei que essa decisão de fugir gera o "por que". Mas eu explico antes de alguém me perguntar. O motivo o qual gera essa combustão para os meus desprazeres é a falta de sabedoria na convivência do ser humano. Burros, intolerantes, não sabem lidar com o próximo, sempre pensando que o mundo é só deles, egocêntricos, egoístas, individualistas, se esquecem que a vida é feita para todos, construída pelo coletivo, ou seja, toda ação pessoal tem efeitos estrondosos naqueles que estão ao redor. O “efeito borboleta” ainda faz seu efeito, exemplo disso é a crise financeira em todo planeta, nessa pirâmide de baralhos uma carta que escapa desmorona todo o sistema “seguro” (que se enforca nas mesmas cordas de Judas com suas moedas de prata) prova viva de que todos são dependentes um do outro. Não dá pra descartar ninguém, porém o que acontece é uma alusão à competitividade alimentada pelas paixões econômicas dos burgueses apoiadores dessa escravidão moderna, guiados apenas pelos sussurros das especulações. Mas enfim, não quero falar de economia, desse colesterol dos pançudos bancários. Quero é frisar a importância que temos em relação ao outro e de como cada passo dado pode mudar a vida de muitos, para melhor ou para pior; existe uma dependência. Talvez essa minha fala seja um tanto utópica, porém está claro e descrito pela história que toda a desumanização criada durante os séculos, vem da vontade de serem melhores do que o outro. Melhores em que? Por isso quero fugir e manter a maior distância possível desses humanos, os quais vivem uma antítese de serem racionais, porém não fazem nada para merecer essa posição. A ciência hipócrita ainda defende tal sabedoria insensata, sobrecarregada de orgulho alimentando o próprio ego de não reconhecerem suas falhas, limitações e estúpidas burrices claras no dia-a-dia. Eu, vou fechar meus olhos por alguns segundos e quando abri-los novamente espero encontrar algo diferente disso tudo; onde a ignorância não seja capaz de destruir o seu semelhante, a racionalidade deixe de ser demagogia, a vidinha não se torne tão medíocre assim, que todos fujam de uma satisfação ingênua para ninguém se proclamar rei de si mesmo, afim de perceber que acima de tudo o contexto social vale para todos. Fui mais voltei e já me sinto muito aliviado, a cooperação e a razão andam juntas de mãos dadas, a fraternidade fugiu do natal e voltou aos outros dias do ano; agora não existem mais novelas, tudo é real, sem peças nem máscaras para esconder o rosto de alguém. Pisquei! A utopia está mais viva do que nunca, e eu quero fugir outra vez.
Escrito por Lá de fora às 01h07
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