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O mundo aos meus Olhos Eu vejo um mundo de Alegria, onde da solidão, nasce a Poesia. Nos olhos tenho a certeza da Beleza Encontro a Luz, que a cada passo conduz a minha vida Nas entradas e nas minhas saídas Ouço a melodia, o canto, o encanto da sua voz Um laço de emoção surge entre nós Numa contradição de pequenas palavras Escrevo uma longa canção Outrora sem sentido, perdido como vento esquecido Agora, um sutil toque, não me deixa ir embora. Mesmo que a hora queira me chamar A nostalgia de uma criança feliz Com o presente, o brinquedo que ela quis Não deixa o sono me pegar Claro, não posso fechar os olhos Ainda vejo em meus sonhos um futuro bem presente Feito do corpo, da alma, do espírito, por tudo que o coração sente Nesse mundo incerto ao final posso provar da Alegria Quem diria? Ela está na simplicidade do dia-a-dia Se de repente, procuro entender a imensidão do Mar Fico sem nenhuma resposta, e onde encontrá-la? Pois o Mar que pode ser explicado, se reduz a um Aquário Assim também é o Amor, o ar, o céu, a brisa suave no meu rosto Tudo eu posso sentir, mas nem tudo eu posso tocar Pois o melhor está em provar sem ao menos entender, é me deliciar Numa absoluta certeza e com os meus olhos abertos Deixo a Beleza me encantar, nesse mundo que é incerto
Escrito por Lá de fora às 01h19
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Diante do Espelho Vejo em minha frente, pedaços de mim correndo por ai, correndo por todos os ouvidos, que estão ou não ao meu lado, esses pedaços se perdem no oposto das palavras bonitas, se vão de maneira a deixar impossível o meu retorno, a minha volta, alguns fragmentos de nostalgia do que eu era há alguns dias atrás. Com efeito, delirante, vem até mim, a certeza de saber que posso não mais voltar, não mais estar aqui, ou pelo menos estar sem alguns pedaços. Olho pro espelho e vejo um quebra-cabeça, desfigurado, com suas peças separadas, distantes umas das outras, tornando difícil a re-montagem, ou a descrição de como eu sou agora, qual é a minha forma. Esse reflexo deixa um sinal, o perigo eminente da dor que ecoa nos meus gritos altamente silenciosos. Eu que outrora tinha certa compreensão do meu desenho abstrato, agora vejo embaçado, uma vista ofuscada pela luz no fim do túnel. Talvez seja a saída para um novo “eu”, nova forma para os meus pedaços restantes, ou, a luz de um trem vindo em minha direção; bom, quem sabe traga as respostas para onde eu quero ir, um mundo infinito nas minhas visões diante do espelho. O espelho é mágico, traz os pensamentos mais insanos e impensáveis à minha mente, e vem com toda sua sinceridade. Difícil encará-lo; eu até tento esconder o rosto, mas ele não nega, e desmente os soluços vindo do meu interior, um companheiro inusitado para as solidões incertas, me olha no fundo dos olhos, mexe em tudo que estava escondido, e bagunça por completo o porão da minha alma, soprando toda a poeira. Faz uma "zona". Ele é sincero, por mais que doa, por mais que eu não queira entender, abre mais uma vez os meus olhos já vermelhos de choro, e com um sopro de “verdades” me quebra em outros mil pedaços. Em seguida, antes de me despedir dos reflexos do meu “eu”, ele toma de mim um tanto dos meus desejos e miragens. Fico pensando se isso é um roubo de tudo que me resta, aproveitando do meu momento hostil, ou apenas uma desculpa para que eu retorne e o encare novamente. De maneira irônica, as vozes dentro de mim, infelizmente já não dizem “Adeus”, mas sim, um mero “Até logo”.
Escrito por Lá de fora às 22h09
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