Primavera

 

Seis horas da tarde, as cigarras começaram a cantar, tive a certeza, é Primavera, algo mudou, outra estação na minha vida, um outro momento oportuno para viver ou tentar plantar as sementes trazidas pelo vento. Assim abrir passagem para minha estupidez, formada por um conjunto de valores ainda não invertidos. Construída por sentimentos sensatos e ao mesmo tempo insanos, vozes de um lado um tanto escondido, longe da clareza de alguns olhos, se enveredando pelos prazeres efêmeros.

 

Novamente uma parte de mim ainda procura o meu perigo imortal, que insiste em alimentar as angústias da minha alma, num tempo de deixar tudo florescer, e também de torcer para que o próprio vento, na ironia de um destino criado por mim, não destrua os castelos floridos, e não entorte as flores.

 

Mas como qualquer outra estação, vai passar, vai sim, passar por toda minha memória, percorrer todo caminho inútil para chegar aos deslizes do meu cérebro e voltar numa caminhada vã, e ser a campeã de si mesma, campeã de suas conquistas, conquistas sem medalhas.

 

Eu na verdade, não sei por que digo essas coisas, nem o momento de não dizê-las nessa dúvida, de me adentrar ou não às minhas ilusões de óptica, nos meus matizes de flores. Num canto escuro das respostas concretas. Mas tenho certeza apenas de uma coisa, é Primavera.



Escrito por Lá de fora às 00h20
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