Enfim... Sexta-feira

Mais uma semana se encerra, fim de semana chegando, colocar a cabeça no lugar, descansar, dar uma pausa em todo o trabalho árduo efetuado em nossas cadeias diárias seguindo o ciclo vicioso de recomeço sem volta. No entanto, as vezes esses sábados e principalmente os domingos são apenas um pleonasmo das feiras repetidas em intervalos curtíssimos dentro deles, assim com o velho e conhecido descanso sintetizar toda a nova velha semana cuja há de vir, mantendo a mesma linha.

 

Engraçado, ultimamente tudo está passando assustadoramente rápido, talvez esteja acompanhando o progresso da humanidade, tão espantoso quanto. Ontem eu achei que ja era sexta-feira mas não era, porém tenho quase certeza que amanhã será, assim vou poder curtir mais um fim de semana, com os gritos daquela segunda-feira anunciando a próxima sexta, antecipada pelas feiras vizinhas.

 

Infelizmente nesse passar tão rápido e bem digesto, deixamos muitas coisas despercebidas, coisas simples, o sonho por exemplo; mesmo sendo utópico é sua forma de fundamentar a vida. E os valores morais, esses ae formam um perfeito pretérito, comportamentos ditados por uma geração entulhada de TV. O que é ou pode ser bom termina deixados na feiras semanais, evasivas do comércio do dia-a-dia para sermos engolidos por uma roda gigante devoradora, que hora ou outra diminui sua velocidade num instante insensato, emprestando alguma chance, e logo em seguida deslancha a todo o vapor.

 

Para ela não existe estações do ano e nem pretende saber o que é (nós também nem sabemos mais, a primavera se fez  outono e o verão se fez inverno, basta olhar a natureza nos dias atuais), não compreende a diferença do bom ou do ruim, alias, está tudo misturado em nosso calendário semanal. Ela passa e leva tudo, girando ladeira abaixo como manda a regra, tomando todo tempo consigo, dias, meses e anos, sem distinção; uma constante monotonia em sua trajetória.

 

Assim a cada volta, estamos de volta numa velha nova semana, esperando de volta uma nova velha sexta-feira. E o tempo passa, e tudo passa.

 

Já ouço os gritos da segunda.



Escrito por Lá de fora às 04h14
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