Tantas coisas me cercam, mas há apenas uma coisa que consegue tocar no mais íntimo de mim, o seu olhar. Sim, somente você com aquele olhar subitamente arrasador com uma sinceridade imensurável onde no seu interior mora um universo, o repouso da lua e o jardim das estrelas. Eu sei essas são coisas que todos falam para deixar as frases um pouco mais românticas, porém é verdade o fato de quando seu rosto vira para mim ele brilha reluzente e sensível, me deixando feliz e paralisado.
“Feliz”, uma palavra simples. Usada de forma muita ampla para esclarecer as mais diversas situações, porém algumas vezes com a qualidade imposta na superfície se tornando um conjunto de doses passageiras, relaxantes durante algum momento. Mas dizer a palavra “feliz” ao seu lado, é deixar de lado toda esfera de bobagens e só pensar em você. Lembrar da sua voz, do seu rosto, dos seus olhos, é pensar e acreditar que tudo é passageiro menos aquele sorriso doce e real.
O seu jeito simples me completa, o seu carinho é minha dose de Amor. O seu abraço tem o poder de parar o tempo e escrever no céu poesias com seu nome. Talvez eu não saiba me expressar direito e nem qual palavra usar, no entanto, o que seria das palavras se não fosse a realidade? Pois bem, para mim isso é o mais importante, o fato de você existir e ser é assim.
Qualquer futuro é construído em meio a lutas, vitórias e derrotas, coisas que nos fazem crescer como pessoas e vão moldando nosso caráter até conseguirmos arrancar alguns elogios de outros que nos observam, a final de contas todos somos influenciadores. Qualquer futuro brilhante requer etapas, degraus para alcançarmos os estágios de um crescimento como ser humano. E, no meu modo de ver está aí a raiz de todos os problemas ou de pelo menos a maioria deles.
Indiferente do que seremos, ou do que queremos ser, existe o presente acompanhado de um futuro. Na verdade, esse futuro nunca chega, está todos os dias batendo na nossa porta. Olhamos para esse infinito, que está tão perto e ao mesmo tempo tão longe, e criamos monstros que nos impedem de desenvolvermos tais etapas.
Um exemplo: todo agricultor pensa obviamente nos frutos que sua árvore irá lhe devolver, mas com certeza ele não se esquece do que pode ser feito agora, nesse exato instante em que passa pela sua cabeça todas as deliciosas frutas de seu plantio. Ele sabe da necessidade de plantar, regar, cuidar, podar as folhas secas até que chegue a colheita. Dessa forma é o nosso presente, sempre anunciando os frutos, as belezas, as folhas secas e nos trazendo o trabalho de cuidar, cultivar e colocar a mão na terra para obtermos algum retorno.
Um bom plantio precisa estar ligado às estações, à chuva, ao Sol, ao dia, à noite. Além disso, precisa estar preparado para temporais e secas, entretanto, acima de tudo, é preciso a coragem daquele que planta e observa ao seu redor, buscando o melhor tratamento às suas árvores. O seu investimento foi muito alto, várias horas de trabalho, noites sem dormir e dias sem descanso. O maior desejo desse trabalhador é ver sua plantação rica em beleza trazida pelos frutos, juntamente com a alegria de ver as árvores fortes todos os dias, ali, em seus lugares, passando por chuvas, vendavais e secas.
A felicidade de antemão está nas etapas, nos estágios e em cada degrau alcançado. Essa é a felicidade de todos os dias, pois cada um deles pode ser nosso ultimo futuro, ainda que não tenhamos provados de todos os frutos, o importante é sobreviver às secas e sair intocável de um vendável. Sob essa perspectiva construiremos uma vida sem medo, sem receio, sem solidão.
Não podemos esquecer que as árvores crescem em busca dos seus ideais vivendo apenas um dia. Elas, assim como nós, vivem apenas hoje.
Estou meio... meio alguma coisa, procurando alguma forma para explicar, esse meio, essa metade que eu sou ou a metade que ainda vivo.
Estou meio feliz, meio triste, meio chorando, meio sorrindo, meio encantado, meio esperançoso, meio desigual, meio justo, meio cruel, meio legal, meio simpático, meio informal, meio apaixonado, meio apaixonante, meio fatídico, meio colorido, meio sem luz, meio claro demais, meio sem clareza, enfim, estou meio que tentando me justificar, no entanto de alguma forma estou pronto para o fim, correr para um lado, chegar em algum lugar, e esse “meio” nada mais é do que o colapso de todo nosso tempo, passagens de uma era muito distante vinda de poucos tempos atrás, é assim, variando sobre as variáveis continuas de nosso sentir, para entendermos, que tudo ainda está incompleto.
A vida não é completa até que cheguemos ao algum ponto circunstancial onde tenhamos outra opinião sobre ela, caso contrário ainda faltará algo. Senão não teria graça, ficaríamos parados anestesiados olhando pela janela toda sua preciosidade sem poder tocá-la, sem provar todo esse sabor. Quando enxergamos isso, damos um importante passo para sairmos do meio em direção ao completo, buscando encontrar o fim, nesse eterno recomeço, e quando encontramos esse fim é onde recomeçamos nos completando com a vida no conforto do seu abraço. Essa é a alusão do encontro dos seres incompletos, imperfeitos, e “meio” assim como eu. É a soma das duas metades, reduzindo a distância monocromática de um tempo separado apenas por um fio, o fio do meio medo, do meio sem saber o por que.
Quando os “meios” sem encaram, surge o completo, o completo imperfeito, é assim que nasce a perfeição, com todos os erros e acertos, mas ali, nesse ponto crucial não existe mais nada desigual, e sim um “todo”, longe de uma busca sem par, esperando no irreal o fim desejado.
É preciso continuar prosseguindo, se encontrar, sair de uma linha divisória, ser igual somado as imperfeições de outro “meio” numa mesma forma de ser. Essas são as notas de sons diferentes mas que dançam a mesma música. Os tais “meios” se completam, e com certeza algum outro te completa, mesmo você sendo meio... meio você.
Quem regou a sinceridade depois de ter jogado suas sementes? Resta o acaso para nos dizer o que fazer, ou deixar o tempo sufocar todas as coisas para então tentar entender a vida?
Esperamos conclusões de outros, mas num individualismo cego olhamos para nós mesmos, pelo fato de não queremos sujar a mãos a fim de cuidarmos de uma semente. Mesmo que ela seja uma árvore pequena e seu tempo de vida se escorra rapidamente, é preciso regá-la, cuidar daquilo que está em nossas mãos; como um pássaro com asas machucadas, um dia voltará a voar, porém antes do retorno a liberdade necessita de cuidados, daí então soltá-lo para um rumo qualquer.
Vejo pessoas traçando uma ótica paralela da vida, e a observando de camarote a evolução da mesma em sua degradação contextual para perpetuar o fim. Logo se isentam da responsabilidade sobre aquela vida, sobre aquela semente que não nasceu. Dessa maneira se desprendem totalmente da qualidade de sinceros, realistas, moralistas, se tornando defensores de um raciocínio desorganizado, sem culpa, sem consciência.
É irrefutável imaginar e indagar sobre essa artimanha debandada, está tão visível, tão clara, tão real. Estamos nos tornando um consumo de sarjeta, onde a dimensão do submundo da nossa mente preenche todo o desejo de escrevermos com lápis nossas situações, como se fosse possível apagá-las a qualquer momento, e se for necessário até jogá-las fora como papel velho e imprestável. Mas não somos descartáveis.
Não existe dois “você”, duas pessoas com o mesmo desejo, com os mesmo gostos, com as mesmas vontades e com os mesmo segredos diante do espelho. Somos únicos, somos raros e insubstituíveis. As linhas da vida traçadas em cada um de nós, vai além de um rascunho amassado, espalhado em volta da lixeira, pois não existe borracha para a tatuagem dos sentimentos selados por nossas emoções.
Vivenciamos uma gravação eterna dentro de nós, onde as vozes ecoarão nos sussurros de nossos abismos até o fim de nossas vidas, sem podermos voltar atrás nas palavras, nos desenhos, nas formas, nos gestos. Os erros sempre podem ser reparados num eterno recomeço, mas nunca aja com a disposição de criar e desfazer suas bobagens se isentando de tudo com uma desculpa qualquer.
Toda ação tem seu valor e suas reações, toda semente plantada e regada, cresce e dá frutos, por isso a importância e a cautela de lhe dar com as fatos, exercendo maturidade nas convicções em relação aos outros, enxergando dentro de cada um, um cristal delicado e ao mesmo tempo um papel totalmente em branco, esperando que escrevam nele alguma história sincera, onde faça sentido, tenha começo, meio, talvez um fim, e venha assinada pelo seu autor, o “culpado” por essa marca registrada em alguém, registrada em uma pessoal qualquer, a qual, não serve de rascunho e jamais será um mero esboço.
Todos os dias podemos escolher em dormirmos abraçados ao caos ou ao desejo de mudança, virar a página a fim de notarmos as luzes do céu depois de uma chuva quase sem trégua.
É preciso fugir do conformismo, sonhar, fazer, acreditar, filosofar a vida para não viver na superfície. Ser inconformado com o caos, com a realidade não tão agradável ou até mesmo com uma situação ruim que nos aflige e impera mudanças é não estar no murmúrio e nem ser conveniente a ele, reclamando e maldizendo a tudo e a todos. Fugir do conformismo é saber que se pode chegar mais além, acompanhado sim, das adversidades, dores, frustrações, porém ao mesmo tempo agradecer pelas dádivas e vitórias conquistadas. Isso é sonhar com o inalcançável sem desprezar o que já está em suas mãos. Você pode reclamar de um almoço simples com arroz, feijão e o típico ovo, ou agradecer por essa fartura sem deixar de se importar com o melhor. Viver num triste lamento é morrer no fracasso.
Filosofar a vida, não é pensar em vão, não é “cientificar” tudo a sua volta, nem ao menos buscar compreender a tudo, mas sim buscar um sentido dentro de cada um. A vida é uma grande pergunta, e dentro de nós mora a grande resposta, ainda que para ela não exista uma lógica compreensão. Pense, imagine, indague a si mesmo, releia seus pensamentos diante do espelho, se conheça ao ponto de se perder, só assim irá se encontrar.
Se fizermos uma auto crítica, veremos como somos ingratos, persuasivos a explicar nossos erros, tão egoístas, individualistas com uma forte tendência para o mal, para as cosias negativas, condicionados a olhar a vida como um Raio-X, sem cores, sem detalhes, sem a beleza que se esconde debaixo de uma folha seca no trabalho corajoso de um inseto, o qual, não grita de dor ou chora insatisfeito. É um grande exemplo vindo de um pequeno detalhe.
Hoje em dia, olhar por esse lado, ou falar de poesias, amor, saudade, vida, natureza, etc..., ficou apenas para os mais “bobos” e “vazios”, algo que deveria ser constante a todos, pois todos estão ao alcance disso.
Mas eu confesso, sou um pouco vazio, vazio de mim mesmo, pois só assim poderei ser preenchido pelas coisas boas que me cercam, preenchido pelos presentes imensuráveis de Deus para comigo. Espero um dia estar vazio por completo, daí então serei tomado pelos raios do Sol, pelo brilho da Lua, pelo sorriso das estrelas, pelo charme das flores, pelo frio do vento e pelo calor de um abraço. Meu Deus, do que precisamos mais para viver? Quão idiotas somos, trocamos um sorriso pela primeira oportunidade de chorar. Nos enchemos de murmúrio por causa de uma tempestade mas esquecemos de que a água que cai das nuvens é importante para nós. Podemos até não compreendê-la com toda essa sua força, mas há total sentido nisso.
Comece a perceber as pessoas ao seu redor, o sorriso em seus rostos, compartilhe da tal alegria, não as deixe “passar em branco”.
Faça sua escolha antes que o tempo acabe. Jogue fora todo pensamento triste e negativo, pois 90% dos monstros que criamos não existem, são apenas frutos de nossa mente pessimista. Fuja da superfície, se aprofunde dentro de você, jamais desista de vencer e nunca pare em nenhum obstáculo; sonhos sem lutas, produzem conquistas sem méritos. Traga a tona o valor de quem é especial e te faz sentir bem, jamais desista de quem você ama. Seja verdadeiro em suas palavras, seja simples e sincero. E seja quem for, seja o que você é.
Quem já sentiu medo? Ou melhor, quem nunca sentiu?
Somos seres humanos, com mente, com vontades e emoções, passivos a erros, a acertos, a amar, a magoar, a perdoar, e a recomeçar. Existe uma porção de sentimentos dentro de nós, e de alguma forma aprendemos a trabalhar com eles, tentando colocá-los sob controle.
Acima de tudo isso, está o medo e ele ironicamente nos impede de ter algum controle sob todo o resto. Controle sobre o bem ou mal, sobre o amor, ou a magoa. Ele muitas vezes nos faz covardes, absolutos “covardes corajosos”. Assim como alguém que no seu ápice de desejos indescritíveis, com aquele friozinho na barriga, espera um momento ou uma brecha para rasgar o seu coração, falar de si mesmo e tudo mais que venha do íntimo de sua alma, no entanto, pára no medo, fica ali pronto para explodir de emoções sem razões. É o medo.
É difícil controlá-lo, assim como é difícil controlar tudo que eu sinto. Me faltam tantas palavras, tenho certeza que posso resumi-las em algo pequeno onde suas proporções serão tão grandes quanto tudo que há dentro de mim, ou seja, a simplicidade de ser o que eu sou pode mudar uma história, uma vida, ou várias, mas o medo tampa essa visão. Agora me pergunto. Medo do que? De quem? E por quê? Pois tudo pode ser mais bonito, agradável e claro como o Sol.
Acho que esse medo bobo, persuasivo, mas insignificante, me serve de inspiração, vou deixar de acreditar nos erros do medo, nas impossibilidades geradas por ele. Essa covardia eu vou transformá-la em coragem, algo para me deixar ligado e não errar.
Preciso tirar uma conclusão desse texto esdrúxulo, na verdade não sei por onde começar. Será o medo? Não. São muitas palavras, algo difícil de sintetizar apenas aqui, porém eu sei o que estou sentindo, por mais que os receios queiram tomar conta, existe algo verdadeiro, longe da superfície da paixão fria e passageira, longe das modas ou de uma beleza inexistente que criamos; perto sim da preciosidade de todo o seu olhar e ouvindo o sussurro da sua voz. É como enxergar num deserto uma linda flor multicolorida tão notável ao ponto de mudar qualquer cenário. E á minha volta tudo está diferente. Subitamente, passei a sentir essa mudança tão sublime, tão real, absolutamente real. É fato. E é fato também de que mudou o meu cenário onde o medo não aparece mais. Jamais.
Pessoas morrem ao meu lado, assaltos a mão armada, carros desgovernados, gritos de desesperos, crianças brincando no medo e casais namorando no meio da multidão que cerca o prédio depois do suicídio de uma garota de 19 anos. Mais um dia normal.
No outro dia leio as notícias, ouço os comentários abismados dos interessados pela morte da tal garota (esse é o prazer pela morte) que por sinal era muito bela com seus cabelos loiros e lisos e um par de olhos azuis. Realmente é triste, é anestesiante ver essas cenas, mesmo apenas na minha mente, imaginar isso é trazer à tona a dor talvez semelhante sobre aquele momento “comum” nessa vida que vai passando pela janela.
Mais uma pessoa morta passa caminhando em minha frente, ela até tenta sorrir, porém a beleza da felicidade em sua vida está engessada pelo relógio do tempo, está morna diante dos fatos, diante da TV, que noticiou a morte da melhor amiga. Ela está paralisada como aquele corpo caído no chão.
A morte não veio quando o fôlego cessou mais sim no instante onde desistiu-se de viver, de acreditar nessa vital experiência, a qual, pouquíssimos sabem aproveitar. O morto não era mais aquele corpo que esfriava na calçada do comércio, mais sim aqueles cujo sentimento estava no necrotério das almas. O cadáver em prelúdio sobre os olhares mórbidos, nada mais era do que a execução final daquilo que a garota de 19 anos “vivia”, era o reflexo de uma estrada sem sinalização, sem fim. Logo depois dessa normalidade anestesiante, cada um toma seu ritmo, lamentando mesmo que de mentira essa triste realidade popular. Agora a vida continua. Casais namoram, crianças brincam, os carros continuam a passar pela avenida principal e motoristas continuam bêbados sem respeitar o sinal. É assim, tudo continua em seu perfeito estado, não existe mais semáforo, não existe mais o “pare”. Não existe mais o “pare” para a essa multidão tão curiosa pela dor, não existe mais o “pare” no topo de um prédio, não existe mais o “pare” para aquela menina estirada no chão. Nessa obsolescência perceptível os gritos vão ficando cada vez mais ensurdecedores no seu silêncio e a ironia cada vez maior.
A vida continua. Mergulhada no receio de mais um dia normal.
A vida se transforma a cada momento. Numa fração de segundo tudo pode mudar e começar novamente, dando início a uma vida ou até mesmo a um prenúncio do fim.
Vivemos momentos onde qualquer instante é fundamental para nosso presente quanto o presente para o nosso futuro. Todas as coisas mudam, as pessoas mudam, as estações mudam, o mundo muda (nesse caso está de mal a pior) os casais mudam, o céu, a Lua, as estrelas, o Amor, as palavras, os anseios, as virtudes, os defeitos, os amigos, os parentes, as garotas, os garotos, etc... Enfim, tudo sofre com a ação do tempo. Mas qual o porquê dessas mudanças? São obras do acaso, ou frutos de alguma convivência desgastada quando se trata de situações desagradáveis?
A mudança que ocorre em toda matéria existente em nossos séculos é nada mais nada menos do que a própria evolução (mesmo vivendo tempos de uma “evolução retardada”) Um exemplo simples: o arrependimento, as lágrimas sinceras. Alguém que outrora viveu uma vida inescrupulosa, sem respeito, passa a seguir outro rumo, um novo horizonte. De fato é uma mudança até mesmo espantosa ou repentina, porém, essa é a beleza que carregamos juntos a nós, a de sermos um eterno “vir à ser”. O que me irrita é quando alguns nem tão evoluídos dizem que isto não passa de mais uma retórica de momento ou desculpa esfarrapa. Eles estão cuspindo na transformação dos seres, na supremacia da mudança de comportamento num bem que ocorre antes de tudo para a própria pessoa e consequentemente contagiando aos companheiros dessa vida.
É inaceitável ouvir: “Esse cara não tem jeito” ou então: “velho bebúm, sem chance para ele, está na sarjeta por que merece mesmo” e assim vai. Todos já sabem o desprezo que existe quando alguém se encontra numa situação totalmente inferior a nossa. Numa justificativa pela incapacidade de ajudar e de estender as mãos, se ouve esses decretos mortais, os quais é preciso ter muito cuidado, pois através de nossas palavras podemos dar o aval para a crucificação de alguém.
Como não acreditar que tudo pode mudar? As pessoas, os encargos, as paixões, os desejos. São as mudanças que nos fazem felizes, são as adversidades da vida que nos ensinam a crescer, a subir no pé e pegar aquela fruta. São os amargos que nos fazem provar o doce, com as divergências aprendemos a amar, com os erros a acertar em nossas novas escolhas. A conversão de caminhos nos leva ao céu interior, à beleza escondida, por isso eu digo novamente, tudo pode mudar. As pessoas mudam, as estações mudam, os casais mudam, o céu, a Lua, as estrelas, o Amor, as palavras, os anseios, as virtudes, os defeitos, os amigos, os parentes, as garotas, os garotos, etc.
A vida pode ser melhor, essa é a nossa evolução e ela pode ser real.
Cada dia é um novo recomeço um novo momento para se entender, se encontrar, filosofar a vida para não viver na superfície. Cada dia é único, mesmo que a maneira de viver seja igual em todos os outros.
Eles são como fantasmas que nos assombram, nos trazem certo receio do que nos aguarda, um medo, um “friozinho” na barriga; porém ainda assim nos dão a chance de transformar-mos a tristeza, a dor, a angústia ou esse medo em sementes de vida, gerando uma colheita de dádivas sem fim.
Dádivas como a beleza de um olhar sincero que toca no mais profundo dos sentimentos de nossa alma, na verdade o olhar e a beleza sempre estiveram ali, prontos para serem admirados, desmembrados dos estereótipos da moda, prontos para serem vistos com a real pureza que lhes é peculiar. O fato é que pouquíssimas vezes reparamos em algo tão forte, tão abrangente e contagiante, aliás, notamos superficialmente, passando despercebida a fragilidade e o encanto refletido, devido, a nossa maneira de entender e vivenciar a cada dia.
Eu confesso, sou amante da noite, ela mostra tudo de mais belo que estava oculto durante a luz do sol, sem esconder um só matiz. Engraçado, antes do sol se por “tudo” estava visível, mesmo assim deixamos de lado o que realmente pode ser notado, apreciado, digno de elogios e carinhos. Uma forma medíocre e pobre de enxergar o dia apenas como mais um dia de sol e lua.
É preciso começar a ver a raridade em cada tempo vivido, cada segundo do lado de alguém, cada segundo olhando para as estrelas que iluminam a noite, aqueles olhos, os quais iluminam a minha a noite, o meu céu. Notar a poesia dentro de um coração inocente, de um sorriso apaixonante, entender que vale a pena semear em cada um dos dias. Plantar a verdade não como pintura de mentiras, mas como um ideal a seguir, a lutar, a morrer e recomeçar se for preciso.
Hoje vejo como vale a pena andar novamente, dar um passo para traz a fim de dar dois, três e mais outros para frente em busca de um sonho, andar até mesmo quilômetros e quilômetros a pé na busca por um Amor singular, por um abraço carinhoso no inverno.
Vale a pena em cada um dos dias derrubar as barreiras, sofismas que cauterizam a mente e abrir o coração para voltar a navegar no mar das ideias tão desprezadas por outros, mas que ainda sim é um estandarte de vitória, é uma bandeira, uma causa. Afinal, o fim das ideologias é o sucesso do fracasso.
Me pego contestando os “porquês” dessa vida. O “porque” do Sol nascer todos os dias, o “porque” da lua brilhar tão linda em meio à noite. Qual o motivo de um abraço carinhoso? Qual o motivo de uma discórdia sem fim? O que nos leva a nos abismar com as coisas erradas e intoleráveis, mas nunca ou quase nunca fazermos nada para mudar?
O “porque” é compreensível, porém, é limitado numa angústia superior às palavras ou respostas. São tantos caminhos a seguir, tantas escolhas a tomar. Todas elas geram dúvidas, questões que nos inquietam durante toda a vida, onde alguns arrumam soluções somente perto do fim, ou levam-nas para o túmulo.
Há dias inquestionáveis. Tudo passa tão rápido que não percebo nem a luz do dia indo embora sem um “tchau”, em contra partida há dias (como esse que estou escrevendo algumas coisas para desabafar com alguém) que tudo parece me dar uma direção, um sinal, me fazendo enveredar aos mais absurdos rumos e idéias, viajar para muito longe sem sair desse pouco vocabulário; é como uma agulha que incomoda, onde dificilmente se esquece da dor.
Agora eu me pergunto, qual o “porque” de tudo isso? Qual o “porque” de sentir os meus passos no chão, de sentir a chuva caindo do céu, o vento tocando o meu rosto? Qual o “porque” de chegar e dar um “oi” sorridente, ou um “oi” triste? Qual é a diferença? Qual o “porque” de não abraçar e beijar? Qual a circunstância que me comove além de uma notícia triste que perdura ao máximo 4 ou 5 minutos de audiência?
Mas afinal, por que eu sei de muitas coisas e as deixo para traz? Por que eu não amo no momento em que a vida me dá possibilidades? Por que eu ignoro, se depois eu vou pedir perdão? Por que eu não perdôo, se também preciso me redimir? Por que eu machuco, se ainda curo feridas abertas no meu peito?
O “porque” de muitas coisas não é um enigma. Para todas as questões existem respostas, basta apenas saber o “porque”.
Segunda-feira de manhã, tudo começa novamente e com o mesmo gosto de sempre, as mesmas vozes me chamando, o mesmo abismo crescendo na sociedade, a mesma degradação moderna, enfim; de volta à mesma semana. E me aconteceu um fato incômodo, aparentemente nada de mais, porém incômodo, isso a meu ver.
Quando sai de casa para trabalhar logo na esquina me deparei com um senhor, não aparentava ser tão velho, meia idade eu acho, o qual estava catando garrafas, papelões e restos do que sobrara do baile da última noite no buteco ao lado. Isso não é novidade para nenhum de nós; pessoas sobrevivendo da miséria e na miséria, no entanto o que me deixou incomodado com tal situação foi a saturação que tudo isso vem me causando durante todo o sempre. Como disse, tal fato é um clichê, seja de manhã, tarde ou noite. Há sempre alguém ali catando restos cuspidos por outros. Fiquei lamentando, não que funcione, mas parei pra pensar na mediocridade que existe clara aos olhos e tão enfurnada em nosso ego miserável.
Será aquilo o último ato de sobrevivência, de busca pelo pouco que seja para matar a fome, ou é somente masoquismo da parte dos infelizes cidadãos da pátria menos privilegiados pedindo um pouco de atenção à suas causas?
Parece que estou dando voltas em círculos, apenas regando o mar, mas não. Quantas segundas-feiras, quantas senhoras, senhores, crianças nos viadutos e palácios urbanos serão necessárias para entender que a miséria faz parte de nós, que é uma lepra subindo pelas pernas tomando todo o corpo?
A culpa nos corroe, mas depois passa com o conforto sorrateiro de um bom sofá somado a barriga cheia. A lágrima que esboça cair dos olhos logo é enxugada pelos ternos engomados. Oh, é tão belo a tristeza que sentimos, nos enchemos de vigor por um amor cínico e corriqueiro aos humildes. É horrível ver a criança no sinal fazendo malabarismo para ganhar um trocado, então nós fechamos os olhos e damos a esmola. Antes até era uma esperança de salvação, mas agora é o financiamento do enterro dos desempregados, dos moradores de rua, da criança sem escola, do menino circense.
Quando me pego numa situação dessas como hoje, fico sem ação. Infelizmente creio que não será mais preciso falar ou contrariar estas coisas, pois lá no fundo até achamos bonito: “Olha que belo e honesto vender lixos em troca de pão, esse é trabalhador!”. Tive vontade de perguntar para aquele senhor se ele via alguma glória na posição em que se encontrava. É a pobreza maquiada de virtudes. Com certeza tenho comigo que a honestidade está além da função, está no “ser” honesto e coisa e tal. Porém os olhos daquele homem de cabelos brancos se protegendo do sol mostraram uma aceitação mórbida e secular, não refletiam nada tão belo assim.
O fato é que agora a miséria não é apenas a velha doença de uma nação riquíssima com má distribuição de renda e pelegos donos do poder, é também um “estilo” de vida, um refúgio colateral para a sobrevivência nessa miséria disfarçada.
Quem dera sempre fosse assim, as estrelas se despindo com tanto charme para mim, refletindo toda a perfeição somente aos meus olhos. O céu é sublime, é uma imensidão de inspiração, e com seu ar Divino sopra um vento aconchegante como um afago, como um carinho de mãe ou coisa assim. Uma voz sublime fala mais alto do que minhas loucas idéias, mais alto que o barulho dos carros, mais alto que o alarde de uma cidade em chamas.
Realmente eu sou um privilegiado por ter tudo isso só para mim; um céu repleto de amor e piedade para com um pobre mortal como eu sentado na calçado de uma rua vazia. Um êxtase infinito junto ao tamanho do universo, junto ao sentimento que nasce em mim quando abraço esses ares. Me sinto imortal.
Nessa noite de “portas abertas” tudo está apagado, a Lua dita o compasso do tempo, rumo e direção. Como uma princesa loucamente apaixonada, sedenta para amar, fita seus olhos em mim me capturando sem nenhuma chance. Impossível resistir a tanto charme e sedução.
Os raios de seu rosto são belos e brancos como a neve. Com um sorriso sincero me contagiam por completo. Ela é a pivô de um romance sem igual, traz consigo todos os mistérios de uma galáxia tão grande quanto um coração aclamado por seus beijos e abraços.
É tão lindo o raio de luar, imponente e firme, sem cair no chão. Desmente todo aspecto fútil de um rosto triste inerente à dor, despertando uma alegria imensurável. Não há como negar, sou coagido pelas suas cores, por sua forma deslumbrante.
Porém o mais engraçado é que não escrevo sobre essas maravilhas apenas por que as vejo, mas também por que transcendem dentro de mim a magnitude de sentir um conforto sem igual. Não importando a distância ou o fato de estarem numa órbita inalcançável pelas minhas mãos, e sim a reação inexplicável vinda do céu com o cintilante das estrelas e da lua as quais são os brilhos de uma noite.
É fato de que o Brasil é um país bom para viver, não tem terremotos, não tem vulcões, não tem furacões (ou melhor, não tinha), tem futebol, mulheres, e o clima é relativamente agradável e instável durante o ano. Um paraíso, um paraíso para todos, para os bons e para os “maus”, e isso também vale para os bandidos e políticos, não seria redundante? Pois bem.
Aqui tudo é uma maravilha, é quase uma terra sem lei, isso só não é oficial, pois existe legislação, pelo menos no papel. Aqui sim há liberdade, somos livres, a democracia aqui é tanta que você pode roubar e não ser preso, mas cuidado, ai vai um aviso, não roube menos que uns 2 ou 3 milhões de reais, senão fica difícil pagar o juíz, a bancada oposicionista e o alto clero “dono” das leis.
Todos os dias batem em nossa cara, os jornais, a televisão com notícias sobre o assalto sínico feito pelos “Homens de terno”. Isso já está virando seriado TV, o desenrolar é quase sempre o mesmo, com alguns detalhes dignos de críticas e o final é sempre um presságio do início. Todos estão calejados, o pior é que em nossa mente grita uma voz dizendo: “Isso não muda, é sempre assim”, infelizmente esse conforto é real, e nos deixa mórbidos, sem ação; assim nos enveredando pela sorte de “um dia” tudo mudar, e, naturalmente num instante de anestesia as coisas se voltam ao normal, o Real continua nas panças gordas de nossos representantes, se acumulando em notas de dólares.
Na última semana descobrimos mais um podre, aliás, já estamos acostumados com o cheiro de merda. Descobrimos o Castelo do saudoso deputado e também corregedor Edimar Moreira, um castelo avaliado em cerca de R$ 30 milhões, mas como aqui é o paraíso, um jogo de vale tudo, o senhor corregedor declarou apenas o valor de R$ 6 milhões, deixando de lado os quase R$ 25 Milhões sem declarar. Sonegar imposto é crime, e com certeza ele sabe. Se o dono de um boteco furreka não pagar seu imposto de maneira correta, provavelmente no próximo mês ele estará preso numa cela com 10 assassinos, 5 traficantes e alguns estupradores para se divertir. Mas como nesse caso o conjunto de princípios éticos e normas de conduta estão enterrados numa moral fúnebre engolida pela ganância, o assalto a mão armada ocorre como no Rio de Janeiro, aos olhos de todos. É a tal boquinha, o leite, a faculdade dos filhos, as mulheres, as raparigas, as festas e outras coisas mais.
De maneira clichê eu digo: “Lamentável”. Tal palavra soa como novidade não é?! Mas sabemos que não há nada de novo nisso; já faz parte da rotina da “galerinha” da câmara e do senado. Sim já é normal e demasiado. Prova disso são os processos enfrentados na justiça por parte de 60% dos parlamentares. No entanto nosso ócio fica por parte dos corregedores, que são pessoas com caráter digno o suficiente para julgar tais débitos com a justiça; corregedores como o conhecido Edimar Moreira. Lembra? Nessa antítese, os tais cumpridores das leis são eleitos pelos próprios réus.
E para mudar isso? Será preciso nos afiliar a algum partido a fim de chegarmos ao poder e desbancar a todos? Mas como mudar alguma coisa lá em cima se esse caminho, outrora sinônimo de luta pela democracia e igualdade para um país limpo, hoje não passa de uma utopia de esquerda findada nos interesses da direita? Partidos onde os quais eram para ser um estandarte, símbolo do amor pelo povo, hoje estão embargados pela própria corrupção. Qual o caminho à ser trilhado; um impasse militar? A demagogia democrática de Sarney? Os “caras pintadas”, pintados com as cores do Collor?
Sinto muito ao dizer que esse texto é atemporal, mudanças nele podem ocorrer, porém serão apenas detalhes, só as trocas de alguns personagens e talvez um outro enredo mais emocionante. O mal enfurnado cresce com raízes profundas num governo sorrateiro, cheio de artimanhas sem soluções concretas. A reforma política tão falada nos últimos tempos não é um bom negócio para o quinhão dos parasitas governamentais, já que a fatia do bolo é para todos, eles comem e se lambuzam sem deixar a festa acabar; uma atitude “politicamente correta” onde vale tudo para manter o Brasil, como sempre maravilhoso, mas cheio de castelos e misérias. Edimar Moreira que o diga.
A tônica mais uma vez se volta ao âmbito social, àqueles que de uma forma ou de outra criam suas próprias verdades e constroem para si um sistema de vida moderno despedaçado aos passos da evolução.
Quero um dia, ou melhor, sonho em um dia encontrar as pessoas refletindo sobre seu futuro, sobre os desejos do coração, sem a companhia indesejada do egoísmo, do individualismo os quais são combustíveis de venenos prontos para deflagrar a convivência nessa massacrante rotina.
Para tudo existe um começo, um ponto culminante de onde brotam as idéias, boas ou ruins que nos seguem durante toda a vida. Todos sabem que a juventude é o tempo de plantar e colher tais idéias, e de maneira muito fértil e corriqueira nascem, crescem e morrem pensamentos de coisas enfurnados em nossas mentes; hora ou outra algo fica guardado e começa a ter consistência, iniciando a construção do caráter de um cidadão comum.
Volto a comentar algo sobre a juventude de hoje em dia (não me excluindo), talvez minhas palavras sofram um “Déjà vu” de paradigmas, porém nada é tão novo e nada é tão velho. Muitos jovens nesse padrão de “monovida” estão se tornando servos passivos do sistema social, aceitando a subordinação imposta nos raciocínios e intelectos. Pensar ou lutar por um ideal já está ficando um pouco distante, nostálgico. Não falo de ser “isso” ou “aquilo” e sim a forma, como ser “isso” ou “aquilo”, pela vontade da própria opinião.
É normal ver moças e rapazes ditando a moda numa classe robusta e visoça, mas nada passa de uma variedade de igualdades, uma mocidade servindo de espelho para o ridículo. Sãs as mesmas calças coladas nas pernas, a mesma franja penteada na testa com cuspe de vaca, as mesmas fotos, os mesmos programas, a mesma dança, e o mesmo olhar sobre a vida, o mesmo olhar sobre tudo que esperam ou que acontecem à frente dos próprios olhos. Sempre se ouve a tal frase, “O jovens são o futuro do País”, até a minha mãe já me falou que ela cresceu ouvindo essa mentira fajuta. Sim, uma mentira tradicional para acariciar o ego dos tolos e confortá-los numa impotência e conformismo; pensão eles: “Já que somos o futuro, não há mais nada a fazer?”. Pronto, chegamos ao presente.
Vivemos tal tempo, onde o futuro para a juventude “cibernética” conclui-se apenas num “país de todos”, sem esboçar qualquer reação de desagrado ou desconforto com a bolha maldita. Chegaram ao ponto de ter o domímio da tecnociência; novidades, Era digital, celulares e minúsculos aparelhos de orgasmo, mas não são capazes de deixarem transparecer algum ato heróico de mudança, isso sim é o futuro; e convenhamos há muita coisa para mudar. Quando passam em suas frentes as criancinhas famintas ou pai de família desempregado, no máximo se ouve: “Ah que pena” e logo se esvai o instante de piedade, então trocam de canal procurando mais um “reality” imbecil ajustando o “trazeiro” no sofá.
É um paradoxo; tanta informação, mas pouco conhecimento. Essa é a fabrica em série de intelectuais burros, pois é muito mais fácil fechar os olhos e não denunciar o mal impregnado como parasitas encefálicos. Assim é possível ser feliz sem ser incomodado com isso.
Num ato épico eu ainda espero e sonho nesse presente imperfeito, o qual já acontece cheio das mesmas novidades, que todos (não me excluindo) reflitam sobre os desejos do coração. Não apenas roam a vida como pequenos ratos psicopatas, mas longe de suas próprias verdades e das mentiras insanas, colham suas ideias de maneira fértil e consistente, para construção de um caráter digno de ser intitulado “O futuro da nação”.
Já era tarde da noite e eu me perguntava como seria o meu próximo dia, como seriam as coisas, as tarefas, como meu coração reagiria contra a agonia que nos é proporcionada em todos os momentos deste relance chamado vida.
Nos poucos instantes em que me peguei nessa viagem entre o hoje e o amanhã, me surgiram muitas dúvidas, angustias, tristezas e até mesmo uma pontinha de solidão, afinal de contas o futuro é um mistério e não revela nada nem ninguém.
Sendo assim tentei olhar um lado diferente do por vir, algo que está escondido nos afazeres e nos processos dessa caia diária, algo quase imperceptível, mas existe, é real e se chama Esperança.
A Esperança sempre foi vista com algo futuro, mas e se o futuro não chegar, ter esperança foi em vão? Não, pois percebi que não se trata somente de esperar como sitam os dicionários; é fazer, é ter atitude, sob o olhar de nossa fé, sob o olhar de um novo dia sem medo, sem receio ou solidão.
Esperança, fé, infelizmente acaba se tornando algo distante de nossa realidade, muitas das vezes colocamos nossa vida perto demais dos olhos; onde tudo é grande, impossível de ser conquistado ou sonhos impossíveis de serem realizados, condicionando a esperança ou fé ao dias atuais, criando um certo desentusiasmo com o amanhã. Isso por que pensamos tanto nesse abstrato de um novo dia que esquecemos do que pode ser feito agora.
Tudo terá sentido quando a esperança deixar de ser um ato simples de esperar por alguma coisa acontecer, ela se tornará uma ferramenta de buscas concretas para o que queremos e o que há de vir, terá um vinculo com o que estamos fazendo. Não haverá mais medo, angústias, tristezas ou dúvidas, pois nossa certeza estará sendo construída no hoje, dentro dos sonhos como fruto da fé, cultivada em nossos corações; é a convicção dos fatos que não vemos, mas tanto esperamos.
Quando virei meu rosto para ver a vida com olhos diferente, pude enxergar tudo de maneira surreal, coloquei de lado essa esfera de bobagens que reflete as alucinações de minha mente, para transcender o limite do humano frio, cruel e calculista e assim obter conclusões óbvias e reais. Hoje eu posso mudar o que sinto.
A fé faz tudo brilhar e nos esquecer da dor ou de qualquer ansiedade. Das minhas perguntas, só tiro uma conclusão, a noite sempre tem um fim; o Sol sempre irá raiar trazendo um novo amanhecer, para com sua luz iluminar um caminho a seguir e nos mostrar que é tão lindo viver; porém essas são coisas só podem ser percebidas por aqueles que deixam de viver a vida num padrão imposto a todos.
Mais um dia dos muitos que já se foram, e levaram com eles outros muitos que não podiam ter ido, velhos e velhas, amigos e amigas, irmãos e irmãs, pais e mães, filhos e filhas, homens e mulheres, amantes e apaixonados; tendo em vista que a importância de cada em seu meio é fundamental para marcar e deixar saudades.
Creio que todos se perguntam o que é a saudade e como defini-la em poucas palavras. Saudade é tudo aquilo que marcou nossa vida o qual nos fez depositar um pouco do nosso amor para uma situação, ato ou pessoa que outrora jamais imaginaríamos ser de suma importância.
Fazemos, brigamos, cantamos, nos declaramos etc. E de maneira alguma passa em nossa mente se quer por um segundo a abrangência de certas circunstâncias, quão grande foi a reação nos segundos decorridos, pouquíssimo tempo, até mesmo quando compartilhamos do Amor. O beijo, o frio na barriga, o abraço o afago trás saudades, assim como as conversas sinceras e cruciais para a sobrevivência nesse século finito, e como sintetizar essa reação absoluta e única dentro de cada um? Impossível, não dá para apalpá-la, não da para vê-la, no entanto senti-la gera uma nostalgia inquietante.
Buscar respostas concretas para tudo que vem a tona nas minhas lembranças, coisas ocultas guardadas no coração, é trazer um passado transcendendo o limite entre o que é real e o que é fruto de pensamentos loucos, e por alguns instantes fazem tudo se tornar real novamente; o beijo, o frio na barriga volta num estranho retorno aos fragmentos de felicidades caídos pelo caminho trilhado até aqui.
Os velhos e velhas, amigos e amigas, irmãos e irmãs, pais e mães, filhos e filhas, homens e mulheres, amantes e apaixonados renascem das cinzas, das flores mortas, a fim de me fazer lembrar de tudo que passou e ficou guardado nas memórias batendo em minha porta, pedindo como esmola um espaço para desabafarem comigo e relembrarem toda alva vista juntos num carinho inocente. As vozes parecem um chamar divino, em um tom de paz me fazem fechar os olhos e ceder um lugar dentro de mim para voltarmos aos dias vividos tão desvalorizados e imperceptíveis no seu ápice.
Restam somente os “fashs” e “feedbacks” cuja nobreza está fixada numa solidão, a solidão dos que ficam esperando alguma forma de reencontrar a primícias perdidas, é o triste pesar da nossa contagem, nessa vida sobre o relógio tudo voa, se esvaindo com o tempo, até o “é” do bom será passado no “foi” do seu lúgubre, sem ao menos entender que todos os dias são os últimos para viver.
O último fôlego, fim dos gemidos e dores
O último “até logo” que se transforma num eterno adeus
O último abraço e afago
A última oração falada com Deus
O último beijo do Sujeito Amor
O último soluço do choro
A última palavra
O último olhar
A última noite de um último jantar a luz de vela
Com as Velas do seu último enterro
As quais brilhavam no último aniversário do seu nascimento
Não sei por onde começar, nem sei o que dizer, nem o que falar desse estranho que me olha do espelho como se me conhecesse e como se a qualquer instante fosse embora para nunca mais voltar; mas claro, voltar para que e por quê? Para ver rostos tristes, lágrimas caindo, o chão sendo feito de cama, ou ajudar a comer as migalhas compartilhadas com os cães imundos? Por que o estranho voltaria?
O meu estranho não é daqui, essa pessoa não se compraz com isso "tudinho" com essa "vidinha" boa, e assim como seu pseudonome, para ele o resto também é estranho; acaba tudo ficando desgastante, me corroendo por dentro, a ponto de ter que gritar de raiva por todos os horrores alheios e um único suspiro.
Os dias estão se tornando drogas injetáveis, diretas ao ponto; tendo em sua fórmula a calmaria da anestesia com um veneno cruel e mortal, nada mais assustador, ficamos sem escolhas e morremos pouco a pouco para darmos lugar ao monstro do nosso interior, um monstro estranho que insiste em ir embora, mas sempre volta alucinado por não achar a saída pra casa.
E já que não está em casa, o monstro tem que atacar procurar sua vítima, mesmo que esta seja ele mesmo. Vejo minha pessoa encurralada nesse labirinto sem nexo, logo me derreto pelo prazer da dor, sede de sangue, me esqueço de todo sofrimento humano para provar da carne de cada um, sem dó nem piedade deixo meu anjo mal atacar só uma vez, uma "veizinha" só, é preciso saciar esse doce deletério. É como a droga, eu sei, vicia e faz mal, pode até me matar, mas necessito satisfazer a eloqüência da minha mente, quebrar as correntes que prendem o meu eufemismo, esquecer as palavras bonitas, e pisar nas flores de um jardim mal cuidado pela minha falsa bondade.
Depois dessa tônica sádica e romântica o meu cruel cidadão do bem parece estar cansado e precisa descansar, a matança foi grande, e a sensação de um "quase" ódio já passou, só resta saber se o meu outro lado, aquele lado legal, simpático, generoso e cheio de lirismo, ainda está incorruptível, puro como antes. Será que os dias o tornaram monstro também e o fizeram perder o Amor a Paz, a última gota de esperança no seu poço sem fundo? Será que vou ter que fugir dele também? Talvez eu não tenha notado, mas já estou fugindo, como todos andam fazendo ultimamente; fugindo do seu monstro, de si mesmo, se escondendo em suas próprias desculpas, tão esfarrapas quanto suas poucas verdades.
A crueldade da ignorância não me deixa enxergar que o monstro apenas dorme, e dorme com um dos olhos bem abertos, atento a qualquer sinal de movimento, por isso meus gritos continuam mudos, para não acordá-lo novamente. Surge um receio dentro de mim, pois tenho certa simpática por esse cara estranho, sua estrada, caminho e saída é a mesma que a minha; quando coloco as mãos em meu peito ouço seu coração batendo, o som ecoando no porão de minha alma, ao mesmo tempo se faz silencioso e sombrio, é de arrepiar. De qualquer forma não posso dizer que ele é mal, porém por ironia também não posso dizer que é bom, somente a luz em uma sombra pode exclamar alguma coisa; no entanto infelizmente ainda sinto como se esse estranho me conhecesse.
No meu íntimo há um encontro informal, sublinhado com a cordialidade do Amor, um desejo iluminado como a Lua em meio à noite, olhos brilhantes em uma corte sem palavras é o que me fascina nas luzes dessa menina meiga e provocante, se fosse possível ficaria parado em sua frente por toda a vida sem desviar o olhar se quer um segundo.
A falta que me faz é instantânea, sutil, suave, esse é meu momento, algo só meu e longe de um egoísmo fatídico ou ridículo de ser, mas preciso disso, dessa dose de pensamentos oblíquos que me levam até você.
Não entendo; os caminhos que me acolhem traçam uma direção imperfeita, no entanto desenham sobre o céu o retrato de uma flor com seus cabelos de algodão, incoerência ou não, me fazem convicto dessa princesa, viva em cada fôlego meu.
Estou aqui, num campo vasto, complexo e cheio da carência da sua forma de me amar, e não demora a bater a saudade, nesses passos escritos em verbos, numa poesia antiética para o saber, nem eu compreendo direito, por isso ao procurar entender volto sempre a esse ponto; o meu encontro contigo.
Vejo de uma maneira embaçada, como se enxergasse nas nuvens apenas o que me agrada, ou a forma que exprima as loucas idéias ponderadas por um encanto, as quais são criadas a cada dia que venho até aqui.
Quero devolver todo o bem que me faz, pegar em suas mãos, sentir a leveza de sua pele, penso ainda o quanto você está longe, mas sinto sua doce voz ecoar dentro do meu silêncio, trazendo suspiros profundos num compasso acelerado dos mistérios do coração.
Pareço um pouco desajeitado no meu jeito de ser, para consertar tal fenda escrevo certas coisas, talvez um pouco menos desajeitadas, e que cabem nessa hora, ainda é um encontro invisível a olho nu, como se fosse uma correspondência particular, escrita por mim mesmo; claro, nunca poderia te entregar, senão me deixaria um tanto distante de você, sendo assim prefiro eu mesmo ler essa carta simples e discreta.
Nisso eu deixo apenas a sombra de alguém que ainda pronuncia a cor rosada e suave do seu rosto, pétalas de açucena, singular nesse campo vasto. Quem fala é o meu íntimo, o meu momento nesse instante contigo, e nessa lucidez um tanto fora da razão vou somando em versos a carência da sua forma de me amar.
Estou com saudades. Saudades de um alguém, pérola perdida nos meus segredos, estou com saudades do novo, das maneiras inéditas de viver, algo além da abastança de pensamentos do passado. Saudades de um parto ainda inexistente, saudades do bebê que ainda não nasceu, daquele choro de criança.
Tantas vezes me pego numa saudade absurda, de algum modo fora do tempo, fora do corpo e da alma, com certa relevância numa situação de nostalgia fixada longe das horas passadas.
Será tudo isso matizes de desculpas para voltar a escrever por você, ou melhor, para você? Tudo não passa de um sentimento que vem apenas trazer a tona o que estou tentando esquecer. Ele renasce em forma de palavras e gritos mudos.
Cada momento me traz o seu rosto, como num espelho reluzente, brilhando para mim com todos os detalhes, detalhes estes que ainda não vi ou nunca toquei, porém sinto todos grifados em mim, é o desenho de sua beleza que está marcado. Novamente sinto saudades.
Não me canso de dizer para mim mesmo, é preciso esquecer o inesquecível. Eu tenho essa absoluta certeza; no entanto eu sei, é realmente impossível. Essa certeza não me deixa te abandonar, pego em suas mãos e te levo nos meus sonhos nas viagens surreais, assim posso estar bem mais perto de você.
É inacreditável como certas coisas têm o poder de nos conduzir a estranhas doses de sedução, de loucos desejos, de formas muito além dos séculos vividos. Quero te ver depois “daqui”, depois de todos os anos, depois de todas as datas, um Amor sem horas, sem limites impressos nos manuais de sobrevivência de uma sociedade moderna.
Para mim fica confuso e cada vez mais difícil me explicar, até mesmo de me entender, meu mundo agora parece um absurdo de palavras repetidas, onde o verbo é o seu nome. De repente me pego imaginando em mais algumas frases trocadas para escrever, trilhando um caminho para chegar até ai e encurtar essa distância mais curta do que nunca; é uma distância onde o divisor de águas é a velha saudade. E é imperativo dizer: são saudades dos seus olhos, da sua boca, do seu gosto; esse favo de mel nunca provado é um mistério para mim, entretanto eu tenho saudades, são as minhas saudades futuras.
Felicidade viva nos sacos de presentes, nas lojas, nos shoppings decorados. Essa época salienta o calor humano, o qual vem apenas para aquecer os corações dos investidores e empresários, sustentando assim as bolsas de um mundo em crise, trazendo de volta o Bom Velhinho que foge de um pólo norte derretido.
Todos nós sabemos que o espírito natalino não passa de uma obsessão por vender e comprar, disseminando o consumismo mascarado, injetado em nossas mentes inocentes desde criança, na forma de um velho bondoso com sorriso solidário, esbanjando fraternidade e amor ao próximo. Uma mentira das mais absurdas para esconder um capitalismo suja e guloso.
Palavras doces e singelas soam como o toque dos sinos, anunciando o nascimento fictício do menino Jesus, onde em sua manjedoura hoje explodem homens-bombas. Mas olhemos a beleza da contradição, as crianças negras, ou melhor, afro-descendentes terão bolas, bicicletas, videogames, e serão felizes como devem ser, pelo menos no dia 25; logo depois tudo passa e fica esquecido dentro da roda gigante da sociedade.
As crianças continuaram na rua, os pais de família desempregados, as cestas básicas duraram até o quinto dia útil de janeiro e depois é cada um por si, aliás, nunca deixou de ser. O ator que aparece no comercial, todo charmoso e bem maquiado, tenta nos convencer com o roteiro em mãos: "Esse Natal vai ser diferente, pode ser melhor com a sua ajuda. Colabore!", e eu pergunto: E depois de tudo isso, e os outros dias do ano? Ele me responde: "O problema não é meu, já basta eu estar aqui sem ganhar cachê, cala essa boca e ajude". Mas é preciso esse apelo, uma cara conhecida funciona como boicote para nos entusiasmar a comprar, fingir caridade e manter aceso dentro de nós a chama da oniomania.
Tudo isso não passa de um remorso mundial, onde os egoístas e fúteis tentam se desculpar por todos os outros dias do ano; bolas coloridas, presentinhos e lembrancinhas, borram as sujeiras desse mundo sem valores concretos.
Um conjunto de vazios recheia os porcos e perus difíceis de engolir. Abraços sem afago, sorrisos fajutos para a foto, desejando ao próximo os mesmo clichês de outrora, esse é o espírito festivo, carinho obrigatório que cultiva uma mentira social e também religiosa. São as trapaças do consumismo em suas modas e hábitos, para o rico sustentar sua felicidade a qualquer custo e o pobre se conformar com presentes baratos.
Mas o importante mesmo é celebrar a "vida", um nascimento construído artificialmente. A noite feliz reina apenas nas cantigas do coral, a mágica do Natal nem cola mais, sempre com os mesmos truques, tudo do mesmo jeito, só mudam os anos. O encanto fardado de boas novas já se perdeu e o Papai Noel dos sonhos, que jamais passou de casa em casa, nunca existiu.
Essa semana eu tive o desprazer de assistir um programa na TV apresentado por dois caras, trajados de altos padrões, auxiliando os telespectadores num “Help espiritual” coisa de empresários da fé, o que me fez perder um tanto de minha calma segundos antes de vomitar toda minha janta.
Nos minutos que perdi despercebido naquele canal, fui contrariado com palavras medíocres e ilusórios do tipo (não vou citar todas, pois o lixo era muito grande), “Venha até o Santuário de deus para resolver seus problemas financeiros. Seja grande e bem sucedido. Veja agora o depoimento de Dona Rita, ela tinha problemas e hoje, tem funcionários, tem sucesso, por que ela mudou de atitude, mude você também irmão”.
Seguindo essa paródia sem compasso, a fala dos dois ia piorando, ficando ainda mais suíno: “Ela andava de a pé, trabalhava de tudo que aparecia”. Como se nenhum brasileiro hoje em dia fizesse isso. “Ela só tinha um teto para morar e comia com os pais”. Puxa que horrível ter um teto para morar e um lugar para comer, creio que se esqueceram dos moradores de rua ou dos miseráveis africanos, ou ainda das sábias palavras da bíblia: “tendo o que comer e o que vestir, esteja satisfeitos”. Quanta incoerência. Mas queridos, não podemos nos irritar, por incrível que pareça para a Dona Rita, isso era algo humilhante, mas tudo mudou e agora ela tem até carro e casa própria, é uma microempresária e dizimista fiel com 20% ao mês. Fenomenal não acham? Mas como se repetia continuamente no programa: “Ela usou a fé”.
Uma situação degradante a meu ver, um telhão com jóias, carros e mansões ao fundo, numa imagem “meramente ilustrativa”. Já os dois “pastorzinhos” completavam em suas orações de roteiros. “Deus tire esse pensamento POBRE” e prosseguia. “Liberta da POCA COISA”. Acho que “POCA COISA” é uma gíria desses tesoureiros pançudos.
O que me tirou o sono e me fez escrever esse texto às 3 horas da manhã, foi a desconsideração da fé do ser humano e o pouco caso com a dor e o sofrimento de Jesus (aquele que tanta se prega no cristianismo) um neoliberalismo econômico pelos mercadores de fé. È humilhante creio que Deus esteja se remoendo nos céus vendo tal situação deprimente e nojenta.
Se esqueceram que Cristo é uma antítese de tudo isso. Ela era Deus, tornou-se homem, foi cuspido, mal tratado, andou com os pés sujos, descalço, não tinha onde dormir, foi surrado, sangrou numa cruz pesada, a qual carregava para sua morte. Que ironia. Ele era Deus, tinha o mundo em suas mãos, mas trocou tudo por uma vida simples. Entretanto não podemos esquecer, Ele ressuscitou. E Ele mesmo disse que se alguém quer ser o maior que seja este o menor. Melhor exemplo não existe.
O próprio Cristo disse: “Vende tudo que tens, dêem aos pobres e me sigam”. “É mais fácil um camelo passar pelo burraco de uma agulha do que um RICO entrar nos céus”. E então como me explicam isso? Será que o tal “cristo” que eles dizem ser o “todo poderoso” só funciona como desculpa para os 318 e empresários metidos a crentes?
O que me parece é que esses tais contabilistas convertidos querem entrar no céu com TUDO que tem direito, seguindo os seus ditos: “O melhor dessa terra”, que fiquem com tudo, nessa visão materialista e egoísta. Necrose espiritual.
Pelo amor de Deus, onde está o céu que se pregava outrora? E a frase, “Buscais primeiro o reino e todas as coisas vos serão acrescentadas”? Qual o foco? É a grana? Sim, é a grana, infelizmente um absurdo de alto clero.
Falo agora para os caros amigos (literalmente muito caro) do “Help espiritual”, o céu é ruim, acho que por isso vocês não falam mais nisso. Lá não tem iates ou mansões milionárias, lá em cima as jóias não são valorizadas, isto seria um mau negócio para acionistas e negociantes como vocês, fiquem aqui com toda essa mísera terrinha, fiquem sim e dêem lugar aos outros que estão caminhando, eu peço, por favor, saiam do caminho.
Sinceramente não sei como terminar esse texto, na verdade se eu contar aqui toda minha injúria com certeza serei chamado de erêge, de mente pequena. Mas o deletério é grande, forjado nas orações hipócritas desses “pastorzinhos” com suas incógnitas divinas.
A lucidez parece estar submetida a mentiras mais verdadeiras do que nunca. Um “envangeliques” com o estandarte do capitalismo religioso, santificado pela lei de oferta e procura desse mercado de esperanças.
Não quero aqui julgar o sentimento ou a Fé de ninguém e muito menos o trabalhar de Deus na vida das pessoas; só falo o que todos vêem, mas não enxergam. E mesmo com um resquício de compaixão eu vomito em cima dessa esperança comprada, da extorsão divina, do roubo o céu, desses clones de Judas, dos traidores, das moedas de prata. Vomito em cima desses estelionatários da Fé.
O Sinal fecha, os carros param. Uma pedestre atravessa fora da faixa e vem em minha direção, nesse momento olho fundo nos olhos dela e tento imaginá-la daqui a alguns minutos, o que a estará esperando?
Uma moça um pouco fora do peso, ou melhor, fora dos padrões estereótipos da moda, com seus passos rápidos antes do sinal abrir novamente, carregando consigo sacolas e fumando um cigarro que talvez seja para anestesiar a dor de uma jornada sofrida, ou talvez esconder algo, acho que o que a espera não é nada agradável, uma família cheia de problemas, um marido bêbado, um filho doente, uma louça suja para lavar, ou casa para limpar.
Algo me diz que depois desses instantes nada será tão legal para ela, na verdade isso está refletido nos espelhos de seus olhos. E eu continuo minha caminhada.
Vejo um casal numa moto, passando entre os carros com certa pressa. Minha mente já começa a maquinar as situações adversas que os aguardam, acho que estão voltando de um passeio, pois mochilas típicas de turismo acompanham a moça que se segura atrás do rapaz.
A vida se faz incerta para eles, a cada giro das rodas da motocicleta algo pode mudar, não sei, nada é muito concreto, mas me imagino em seus lugares, tantos problemas, tantas ilusões e decepções corroendo suas almas, e essa tal viagem fosse apenas para tapar um buraco deixado ou para curar a ferida depois de uma briga.
Mas eles passam, mesmo com o sinal fechado vão embora. Eu prossigo com meus passos curtos e olhares curiosos. O sinal abre e os carros saem desesperados, um comportamento comum as 6 da tarde.
Um carro por pouco não bate num caminhão, o que já é o bastante para os motoristas trocarem alguns palavrões e ficarem irritados com o mundo. Me coloco na mente do tal caminhoneiro que responde ao xingo defendendo sua razão.
Imagino que o dia não foi fácil para esse pobre homem que luta pelo sustento da casa e de seus três filhos. Mas ele ainda está sorrindo, pois a ânsia de voltar para a família e descansar nos braços da mulher é muito maior, ela já prepara a janta para o marido trabalhador e os filhos aguardam com saudades o afago do pai. Ele tem bons motivos para voltar feliz para casa.
Conforme vou andando vejo como de costumo numa avenida movimentada, pessoas passeando de um lado para outro, logo passa por mim um jovem se exibindo pela paisagem urbana, com pinta de garoto pit-bul; na verdade uma aparência fingida, o típico cara que sente na pele a vida de ser o que não é, de alcançar uma postura sem valor. Até parece o dono do pedaço, ou melhor, da avenida, porém se esconde em duas pessoas, uma submetida à outra, uma tentando tapar o erro ou a qualidade inferior da outra. Mas ele não é um garoto de TV, e depois desse passeio ao fim de tarde voltará para casa sem ao menos ter o seu perfil moderno notado por alguém.
Não tenho muito o que pensar dessas criaturas, a situação é sempre a mesma. Continuo, e no bar da esquina observo alguns rapazes, com suas "loiras geladas" nas mãos, lá o assunto deve ser futebol e mulher. Já na cabeça daquele outro escondido na última mesa o pensamento é de se afogar no seu copo etílico, tentar matar a sua dor, suas tristezas e solidão de um alguém que até algumas semanas atrás vivia com a esposa e com sua filha de 3 anos. E mesmo depois de um porre sua cabeça continuará tão pesada quanto antes e seu coração estupidamente gelado. Agora o silêncio é o seu amigo, sem ninguém para lhe acolher, e quando chegar em casa, somente pedirá para um novo dia começar, a ressaca passar, e voltar amanhã ao trabalho como se nada tivesse acontecido.
Lamentável, ele é tão novo; mas sou otimista, tento imaginar uma outra situação para sua vida. Afinal, tudo isso que estou dizendo pode ser diferente, pode ser bem melhor; são frutos da minha imaginação.
Na verdade nunca saberei o que a vida reserva para cada um. O que nos espera? Realmente não sei, por isso fico imaginando. Vejo mais um sinal vermelho, carros parados, pedestres atravessando a rua; olho no fundo dos olhos. É mais uma história pra contar.
Nos meus gritos ensurdecedores nesse submundo dos surdos, vou ferindo minha raiva, fúria e solidão em pleno combate. Ante essas lutas, estranhos pensamentos e imaginações fazem um coquetel exuberante com os reflexos de um caos vivido em cada momento. Um desses pensamentos é o de fugir.
Estou cheio da falsidade do teatro, das novelas, das peças pregadas pela vida contemporânea, quero fugir desse mundo nem que seja por um instante, um único segundo; pra onde ir eu não sei, sinceramente não tenho a mínima idéia talvez eu nem saia daqui e fique apenas numa viajem ao longo do piscar dos meus olhos.
Sei que essa decisão de fugir gera o "por que". Mas eu explico antes de alguém me perguntar. O motivo o qual gera essa combustão para os meus desprazeres é a falta de sabedoria na convivência do ser humano. Burros, intolerantes, não sabem lidar com o próximo, sempre pensando que o mundo é só deles, egocêntricos, egoístas, individualistas, se esquecem que a vida é feita para todos, construída pelo coletivo, ou seja, toda ação pessoal tem efeitos estrondosos naqueles que estão ao redor.
O “efeito borboleta” ainda faz seu efeito, exemplo disso é a crise financeira em todo planeta, nessa pirâmide de baralhos uma carta que escapa desmorona todo o sistema “seguro” (que se enforca nas mesmas cordas de Judas com suas moedas de prata) prova viva de que todos são dependentes um do outro. Não dá pra descartar ninguém, porém o que acontece é uma alusão à competitividade alimentada pelas paixões econômicas dos burgueses apoiadores dessa escravidão moderna, guiados apenas pelos sussurros das especulações.
Mas enfim, não quero falar de economia, desse colesterol dos pançudos bancários. Quero é frisar a importância que temos em relação ao outro e de como cada passo dado pode mudar a vida de muitos, para melhor ou para pior; existe uma dependência. Talvez essa minha fala seja um tanto utópica, porém está claro e descrito pela história que toda a desumanização criada durante os séculos, vem da vontade de serem melhores do que o outro. Melhores em que?
Por isso quero fugir e manter a maior distância possível desses humanos, os quais vivem uma antítese de serem racionais, porém não fazem nada para merecer essa posição. A ciência hipócrita ainda defende tal sabedoria insensata, sobrecarregada de orgulho alimentando o próprio ego de não reconhecerem suas falhas, limitações e estúpidas burrices claras no dia-a-dia.
Eu, vou fechar meus olhos por alguns segundos e quando abri-los novamente espero encontrar algo diferente disso tudo; onde a ignorância não seja capaz de destruir o seu semelhante, a racionalidade deixe de ser demagogia, a vidinha não se torne tão medíocre assim, que todos fujam de uma satisfação ingênua para ninguém se proclamar rei de si mesmo, afim de perceber que acima de tudo o contexto social vale para todos.
Fui mais voltei e já me sinto muito aliviado, a cooperação e a razão andam juntas de mãos dadas, a fraternidade fugiu do natal e voltou aos outros dias do ano; agora não existem mais novelas, tudo é real, sem peças nem máscaras para esconder o rosto de alguém. Pisquei! A utopia está mais viva do que nunca, e eu quero fugir outra vez.
Noite pouco fria, luzes, música, telão, gente bonita, um lugar agradável e descolado; todos esperando por alguma coisa, ansiosos para o encontro, com que, eu não sei, mas a noite pedia um encontro, aquele com um friozinho na barriga, afinal de contas “a elite” estava por lá. Bom, qual “elite” era essa, eu não sei.
Brindavam uma alegria de um jeito tão forte, como se nunca tivessem visto aquilo, tudo parecia fenomenal a aqueles olhos, descontentes ao fundo. O nível de felicidade se tornava cada vez menor na medida em que a fome de um “nada” crescia na intensidade que eram apreciados os copos de “Smirnoff".
Fico imaginando, aonde queriam chegar? Não que eu seja contra, diversão, alegria e etc etc etc, mas o que fica em questão é, o por que paga-se muito pelo que vale muito pouco? Coisas que ficam para trás na ultima noite, perdidas lá, onde demonstram seus lados “socialite”; talvez não precisassem nem de Blushs e Batons.
Procuro dar valor aos bons papos com os amigos, aaaaaaaa, esse aí, nada se compara, é algo sincero sem mentiras de onde saem muitos risos, é uma galera que te abraça na festa “maneira” ou na rua movimentada, isso é o que ainda vale a pena. Já essa sociedade dos altos padrões (diga-se de passagem, estão baixíssimos) se preocupa com a boa aparência, com o foco das luzes, com o flash das câmeras, com o gelo nos copos, tudo para impressionar um outro alguém que age de maneira recíproca, Torna-se um impasse fútil, ridículo a meu ver.
Creio que o que agente precisa, não é de muito, porém algo bem mais além de uma noite de luzes, bar-mans, frutas, e uma vida inventada só por um tempo, por uma horinha; falsos seres ludibriando outros falsos seres, uma salada sem gosto. EKAA!
Mentiras inusitadas, sorrisos amarelos, felizes e cheios de amargura. Quando irão aprender a não mentir pra si mesmos, não mentir para seus antepassados, nem para seus sucessores, também não mentir para suas próprias consciências, pintando suas dores por trás dos panos.
A felicidade é simples, sem grandes discursos, sem as escolhas das roupas, dos brincos, das jóias, dos cabelos, dos sapatos, das gravatas, da demagogia coberta de maquiagem, sem “tapiar” seu mau cheiro com perfumes caros.
O espetáculo da Alta Sociedade é um palco montado para inventar ser o que não são, é uma forma de acariciar o ego de alguns bebês chorões, baseado naquela história “a mentira dita várias vezes torna-se verdade”, e isso já é o bastante para eles acreditarem. De qualquer maneira continuam não vendo o óbvio desse falso glamour; formam uma Alta Sociedade sem ao menos alcançar o primeiro degrau de realismo.
Essa semana passou "voando”, estou sem tempo pra nada e não consegui fazer absolutamente nada, muitas coisas incompletas. Fico pensando, como o tempo passa, voa, corre, enfim, como ele consegue me deixar para trás, me fazer de retardatário. Esse limite de tempo que tenho hoje me limita a fazer algumas coisas que eu nem quero e deixar as outras que realmente quero pra depois.
Paralisa o meu “futurinho” de amanhã de manhã, tanto tempo o tempo me faz perder, não pelo meu descuido, mas pela ação eficiente do movimento instantâneo dos meus dias atuais.
Dizem que depois dos dezoitos anos tudo passa mais rápido, eu não acho isso, creio que passamos a enxergar as coisas numa ótica mais concreta, precisamos ver para acreditar, é o tal do “ver para crer”, afinal, quando se chega aos dezoito anos, todo mundo se pergunta como será o amanhã para si, e acaba entrando na roda, nessa condição de viver em função das horas, submetidos à busca das falsas verdades dentro desse contexto de “tempo é dinheiro”.
No entanto por que vivemos condicionados a isso, a essa busca sem lógica, por algo efêmero, na liberdade da escravidão contemporânea?
Mas o tempo não pára e tudo passa com ele; quando digo que estou sem tempo, é quando aquele tempo que eu tinha passou tão rápido que não me deu tempo de ver o tempo passar. Entendeu? Acho que não, pois eu também.
Não entendo como isso para mim se torna algo horripilante, sim, horripilante, assustador, olhar a vida, as pessoas, o amor, os sonhos, e tudo mais ao meu redor passando num piscar de olhos, no tic-tac do relógio. Sempre comento com alguém sobre isso, sobre como tudo passa muito rápido, até já citei alguma coisa aqui no Blog, parece até um conversa tola, bom, há quem ache isso, entretanto fico imaginando (pra isso eu tenho tempo) o que estamos plantando nessa jornada “temporal”.
Os dias são feitos de instantes, onde o relógio é o coração do mundo, se ele parar todos morrem, um infarto global, é nesse compasso onde vemos a hora de ir embora, de chegar, de partir, de andar, de trabalhar, de criar, de fazer, de montar, de falar e etc... tudo muito bem “organizado”, da maneira que tem que ser. Mas que maneira? Sendo que nossa ambição se faz maior que as horas do dia.
Quem dera em cada um dos gritos dos ponteiros tivéssemos a certeza do “futurinho” de amanhã de manhã, mas isso agente não tem, ninguém enxerga “um palmo à frente nariz”. É nisso que o meu “Enter” fica apertado. Não deixemos o tempo nos subornar com sua razão, uma falsa verdade da realidade de amanhã.
Eu tento não me esquecer dos instantes, do agora, planto para não colher com meus próprios olhos, e nem voltar ao “ver para crer”; quero deixar o tempo passar em sua velocidade absurda e todas as ambições de cada dia sem me preocupar, só assim não sou(mais) levado por ele.
Que para cada um de nós, todo momento se torne único, sublime, traga saudades e boas vindas aos outros momentos que nos aguardam. Isso tudo antes do tempo passar.
Vejo em minha frente, pedaços de mim correndo por ai, correndo por todos os ouvidos, que estão ou não ao meu lado, esses pedaços se perdem no oposto das palavras bonitas, se vão de maneira a deixar impossível o meu retorno, a minha volta, alguns fragmentos de nostalgia do que eu era há alguns dias atrás.
Com efeito, delirante, vem até mim, a certeza de saber que posso não mais voltar, não mais estar aqui, ou pelo menos estar sem alguns pedaços. Olho pro espelho e vejo um quebra-cabeça, desfigurado, com suas peças separadas, distantes umas das outras, tornando difícil a re-montagem, ou a descrição de como eu sou agora, qual é a minha forma. Esse reflexo deixa um sinal, o perigo eminente da dor que ecoa nos meus gritos altamente silenciosos.
Eu que outrora tinha certa compreensão do meu desenho abstrato, agora vejo embaçado, uma vista ofuscada pela luz no fim do túnel. Talvez seja a saída para um novo “eu”, nova forma para os meus pedaços restantes, ou, a luz de um trem vindo em minha direção; bom, quem sabe traga as respostas para onde eu quero ir, um mundo infinito nas minhas visões diante do espelho.
O espelho é mágico, traz os pensamentos mais insanos e impensáveis à minha mente, e vem com toda sua sinceridade. Difícil encará-lo; eu até tento esconder o rosto, mas ele não nega, e desmente os soluços vindo do meu interior, um companheiro inusitado para as solidões incertas, me olha no fundo dos olhos, mexe em tudo que estava escondido, e bagunça por completo o porão da minha alma, soprando toda a poeira. Faz uma "zona".
Ele é sincero, por mais que doa, por mais que eu não queira entender, abre mais uma vez os meus olhos já vermelhos de choro, e com um sopro de “verdades” me quebra em outros mil pedaços.
Em seguida, antes de me despedir dos reflexos do meu “eu”, ele toma de mim um tanto dos meus desejos e miragens. Fico pensando se isso é um roubo de tudo que me resta, aproveitando do meu momento hostil, ou apenas uma desculpa para que eu retorne e o encare novamente.
De maneira irônica, as vozes dentro de mim, infelizmente já não dizem “Adeus”, mas sim, um mero “Até logo”.
Seis horas da tarde, as cigarras começaram a cantar, tive a certeza, é Primavera, algo mudou, outra estação na minha vida, um outro momento oportuno para viver ou tentar plantar as sementes trazidas pelo vento. Assim abrir passagem para minha estupidez, formada por um conjunto de valores ainda não invertidos. Construída por sentimentos sensatos e ao mesmo tempo insanos, vozes de um lado um tanto escondido, longe da clareza de alguns olhos, se enveredando pelos prazeres efêmeros.
Novamente uma parte de mim ainda procura o meu perigo imortal, que insiste em alimentar as angústias da minha alma, num tempo de deixar tudo florescer, e também de torcer para que o próprio vento, na ironia de um destino criado por mim, não destrua os castelos floridos, e não entorte as flores.
Mas como qualquer outra estação, vai passar, vai sim, passar por toda minha memória, percorrer todo caminho inútil para chegar aos deslizes do meu cérebro e voltar numa caminhada vã, e ser a campeã de si mesma, campeã de suas conquistas, conquistas sem medalhas.
Eu na verdade, não sei por que digo essas coisas, nem o momento de não dizê-las nessa dúvida, de me adentrar ou não às minhas ilusões de óptica, nos meus matizes de flores. Num canto escuro das respostas concretas. Mas tenho certeza apenas de uma coisa, é Primavera.
Luigi, jovem, visionário, idealista, com um punhado de idéias boas. Um cara acima de tudo esperançoso, até mesmo sendo utópico em alguns momentos, entretanto, isso não o preocupa, vê o lado bom das coisas. Típico sonhador.
Conhecido no povoado rústico pelos cuidados ao pai, seu único companheiro, e vice-versa; cresceu ouvindo que a vida é semelhante a uma flor, ao qual precisa sempre ser regada, para que o Amor cresça com raízes profundas. Palavras ditas pelo velho poeta com um sentimento nostálgico dos bons tempos vividos ao lado de sua amada e falecida esposa. Com esse legado de romantismo enfático em exageros, Luigi procura aplicá-lo em tudo.
Não em vão, em suas idas e vindas ao trabalho, não passa despercebida uma garota de família simples, sentada naquele banco de madeira em frente a uma casa humilde, seguindo a rigor alguma leitura (provavelmente poemas). Olhar feminino, misterioso, quieto, dizendo muitas palavras sem um som sequer, um ar doce e meigo capturados pela aguçada forma de percepção vinda de Luigi.
Pelo seu interesse por descobrir mais e mais dessa instigante menina, daqueles sublimes olhos, Luigi começa a passar mais perto da casinha cercada de madeira, mas com vista suficiente para capturar todos os detalhes de um rosto jovem e puro, uma visão única, metamorfose de seus sentimentos, isso o induz ao entusiasmo de fazer 8 vezes o mesmo trajeto, a qual precisa apenas de 2, ida e volta do trabalho.
Um visionário nunca deixa de lado a vontade de buscar seu desejo, sua flor, aquela outrora contada pelo pai e poeta conselheiro. Decidiu então descobrir mais sobre os traços fascinantes e delicados da garota, a qual conhecia apenas de uns poucos olhares caminhando paralelo ao casebre.
Certo dia, nessas idas e vindas, que foram ficando muito mais constantes, Luigi encontra em frente a tal casa, um papel, posto cuidadosamente embaixo de uma pedra. De imediato, lê uma mensagem, escrita de certa forma apressadamente: ”Uma flor que morre de sede!”. Ele olha para o lado, a ver se encontra a garota, sentada no banco da varanda ou um outro alguém. Mas não há ninguém, somente um vazio. Guarda o papel no bolso, com o maior dos seus carinhos e continua a caminhada rumo ao arado.
Como de costume ao final da tarde, antes de voltar à sua casa para um merecido descanso, ele passa 4 vezes em frente ao casebre, em busca de algo concreto, ou alguma coisa que desperte ainda mais a curiosidade sobre ela. Somente na ultima vez, vê a bela moça, já levantando do banco, atendendo ao chamado da mãe pelo nome: “Sofía, Sofiaaa, entre!”. Aquele nome para Luigi ecoa como voz incrivelmente encantadora em sua mente. Pensa consigo: ”Sofia, a flor a ser regada. Sofia.”.
Na manhã seguinte, lá está ele, escondido atrás de uma árvore próxima a casa, todo disposto a cortejar Sofia, mesmo de fora, de uma maneira incabível a qualquer um, mesmo que com apenas os próprios olhos. A labuta o chama, todavia o frio na barriga o encoraja, e espera como quem não quer nada. Sofia vai para a varanda da casa, senta-se e como de costume continua sua leitura, intercalada com os olhares de Luigi. E de repente Sofia se levanta do banco e vai rapidamente até o improvisado portão, Luigi, já não mais escondido contempla um rosto tão meigo, uma flor ao cheiro das águas, com um olhar tão profundo, impossível de ser medido nem pela imensidão dos mares, um olhar que ao poucos faz crescer ainda mais o frio em suas barrigas, um sentimento recíproco, outorgado pela descoberta de todas as belezas sem mistérios, no olhar de Sofia.
Nos poucos segundos decorridos e marcantes, ouve-se uma nova voz, ao fundo: “Sofia, Sofiaa, entre!”. É a mãe da garota, que completava: “Venha menina, Pablo logo estará aqui. Seu noivo não gosta de vê-la de qualquer jeito, e muito menos aí fora. Venha”. Sofia corre para dentro, aumentando a distância entre eles ao atender o chamado da mãe.
No mesmo instante Luigi volta a seu caminho, talvez um pouco atrasado, porém carregando a perfeição de tal olhar.
“Ah, aqueles olhos. Eu os aceito de qualquer jeito” diz ele.
A cada instante, a cada passo dado pelo jovem visionário e utópico cresce ainda mais o desejo de voltar e regar aquela flor, pedindo água para não morrer. Mas agora ele sabe, infelizmente, o esperançoso e idealista sabe. Está tão perto, mas está tão longe.
Há dias em que a vontade de um bom desabafo exerce uma força sobrenatural em minha mente, de uma maneira intensa e até mesmo cruel. Talvez essa vontade seja a de entender algo cujo estamos a procura, mudar nosso norte. A hora de explicar o inexplicável, achar sentido em um mundo ao qual não faz sentido, onde secou a última gota de coerência.
Observar, como quem não quer nada, silencioso como as nuvens, sutil como um leão antes de um ataque impiedoso em todas as suas dúvidas e supérfluas indecisões. Feito de água e barro, construído com as mãos de meus próprios olhos, de toda a visão ultra-ocular de alguns poucos raciocínios, somado a toda existência inimaginária ou não.
Monta-se um quebra-cabeça de figuras reais, fatos pertinentes que antes de tudo, antes de se assentarem como mais um ato insano e humano, passam a frente das vistas grossas e rancam boas e poucas palavras, ditas relaxadamente daqueles sentados na varanda, gozando de mais um filme real, do outro lado da rua.
Seqüências incessantes de erros e acertos, a perfeição, de uma vida medíocre. Personagens montados em um enredo desfigurado, precedido pela intenção de tentar sobreviver uma vida quase morta. Morta em nosso piscar de olhos, onde são capturadas todas as “façanhas” e “magnitudes” expostas ao ar livre, todas as frutas e melancias lançadas no mercado de valores pouco duráveis; uma imoralidade vizinha aos bons costumes, virgem de inocência. Mas o pior de tudo é que deletamos os fatos friamente, enganando outra vez uma consciência já mórbida, cansada e sem escrúpulo, sufocada pelos seus próprios gritos.
A distância entre o certo e o errado, o Amor e o Ódio, não existem mais, foi reduzida, num caminho paralelo. A moralidade, já é um grande peso sem valor, palavra velha de um vocabulário quase esquecido, não lido, apagado, engasgado, um doce amargo, longe da digestão.
Os sonhos agora nada passam de maridos traídos e sem amor, sugados pela incompaixão de suas lentes, suas meninas. Regidos pela suja mentira da realidade, o veneno manso pra calar qualquer voz de mudança.
Vidas totalmente baseadas no dia de amanhã. A realidade dita é, mera desculpa pra montar seleiros de poupanças, assegurando ainda mais a própria segurança. Mas qual a segurança esperada? Qual o motivo levado a um medo tão grande do que há de vir? Isso é o medo do depois de hoje, visões focadas a compreender uma cega e complexa maneira de viver, dita como simples e normal pelos amantes dos óculos escuros, aqueles que ainda estão sentados na varanda, e podendo fingir não ver.
Lamentavelmente estamos cruzando dias onde o crucial, é, o que se tem ou pode ter, e não o que realmente pode ser vivido sem a hipocrisia de uma subvida, formatada a uma linha de produção. Começo, meio e um fim de uma forma ou de outra sempre igual, nas visões de um olho nu.
Meu protesto é sem cartaz • é de cara limpa • pra dizer novamente • que a estupidez da religião • nada faz • a não ser limitar • o poder de Deus • dividir as pessoas • roubar os pensamentos • acomodar a fé • ou até mesmo • faze-la de peça de xadrez • pintando o rosto • fazendo o Sete • e depois repetem • pra ninguém esquecer • “A religião de um deus faz bem um você”
Essa é sua boa vontade? • “Eu sou bom, você é bom” • mas isso é verdade?
Liberdade Bem Vinda
Viva a nossa realidade • já que aprenderam • a prendê-lo num armário • lançam mentiras • mesmo sendo ao contrário • mas o que se diz ou contradiz • pouco importa • bate naquela porta • e ela se abrirá
Ele estará lá • dentro de um quadrado • algemado pela ação • eficiente • da manipulação • de suas mentes • e quem mente • de repente • pode não enxergar • logo no seu esquema • impossível Ele entrar • não pode comprá-lo • nem o convence-lo
Com sua bondade • insana • e estúpida • sem zelo
Incoerentes • longe de Deus • não da pra engoli-los
Rejeitados • pelo estomacal eficaz • da justiça sem curvas
Girando Cem (sem) voltas • sem fuga
“Eu era bom, você era bom” • me desculpem • mas nem isso é verdade.
Tempos aonde a informação chega a qualquer momento em nossos ouvidos, num instante sabemos de tudo que se passa ao redor, claro, mesmo não dando muita importância, sabemos. Da mesma forma é muito fácil chegar até nós, os “amigos” vindo de todos os lugares, Norte, Sul. Leste, Oeste, de vários cantos do Mundo.
É a tecnologia, nos trazendo pessoas, compartilhando os mesmos gostos, as mesmas idéias, e nem precisa estar tão perto, é só se “conectar” e logo seus amigos estarão ali; é isso se eles não estiverem dormindo, almoçando, despreocupados, ou até mesmo sem vontade de ter uma “boa” conversa com alguém, basta ver o “status” estampado em suas testas, então fica difícil bater um papo legal, e trocar sorrisos e emoções vitais. Porém logo um desses acorda e poder estar on-line com você, com conteúdos e fatos atualizados e interessantíssimos.
Me sinto desentusiasmado em forma de epopéia com essa geração, a geração que infelizmente eu faço parte, a qual tudo é mastigado pelas facilidades ultrarobotizadas, colocadas goela baixo sem ao menos provar do saber de algo relevante.
Na onda das facilidades de ter tudo de bandeja, vão crescendo como uns bebês chorões, e mimamos, com pouca capacidade de raciocinar; mas também não existe um motivo concreto e real onde os leve a uma opinião realmente útil, o jornal das 8 mostra o que é correto ou não, a novelinha semi-infantil e quase adulta dita um comportamento descolado, e a internet faz ter o mundo em suas mãos.
Sobre essa geração globalizada, ficam os fatos acentuados a cada tecla, a cada canal trocado. O romantismo, o afeto, o carinho, é apagado pela informatização do pouco que resta dos corações. Prazeres virtuais chegam ao seu ápice com a aproximação do ser humano, feita através da distância que a tecnologia traz, sem contato, sem olhar, sem abraço, sem o calor de ser um humano.
Será que hoje em dia conseguem sair nas ruas e fazer amizades do jeito antigo? Não deve ser tão difícil, e além do mais nem precisaria pedir à outra pessoa te “add” e nem perguntar se ela te aceita, bastaria um encontro informal, coisa de civilizados.
Criamos a tecnologia para auxiliar nossas vidas, e agora a tecnologia nos cria. Perde-se o valor das coisas sentimentais, daquilo outrora o ser humano era capaz.
Essas mentes brilhantes, uma “obra-prima cidadã”, montam como quebra-cabeça o futuro dessa sociedade de uma forma ou de outra "organizada", e, aliás, um futuro tão incompreensível, não cansa de não chegar, remetendo à um presente contínuo de fatos infinitos. Os globalizados ironicamente continuam atrasados em um futuro, controverso a uma geração de “criançasjovensadultovelhos”. Fixados como estandarte de um tempo, onde o tempo não cessa, mas infecta de maneira sutil, retardando qualquer forma imaginária de pensamento progressivo. Um retrato absoluto da anestesia em suas mentes. Restando assim, limpar na toalha de contradições, restos de cérebros escorrendo pelo nariz.
Mais uma semana se encerra, fim de semana chegando, colocar a cabeça no lugar, descansar, dar uma pausa em todo o trabalho árduo efetuado em nossas cadeias diárias seguindo o ciclo vicioso de recomeço sem volta. No entanto, as vezes esses sábados e principalmente os domingos são apenas um pleonasmo das feiras repetidas em intervalos curtíssimos dentro deles, assim com o velho e conhecido descanso sintetizar toda a nova velha semana cuja há de vir, mantendo a mesma linha.
Engraçado, ultimamente tudo está passando assustadoramente rápido, talvez esteja acompanhando o progresso da humanidade, tão espantoso quanto. Ontem eu achei que ja era sexta-feira mas não era, porém tenho quase certeza que amanhã será, assim vou poder curtir mais um fim de semana, com os gritos daquela segunda-feira anunciando a próxima sexta, antecipada pelas feiras vizinhas.
Infelizmente nesse passar tão rápido e bem digesto, deixamos muitas coisas despercebidas, coisas simples, o sonho por exemplo; mesmo sendo utópico é sua forma de fundamentar a vida. E os valores morais, esses ae formam um perfeito pretérito, comportamentos ditados por uma geração entulhada de TV. O que é ou pode ser bom termina deixados na feiras semanais, evasivas do comércio do dia-a-dia para sermos engolidos por uma roda gigante devoradora, que hora ou outra diminui sua velocidade num instante insensato, emprestando alguma chance, e logo em seguida deslancha a todo o vapor.
Para ela não existe estações do ano e nem pretende saber o que é (nós também nem sabemos mais, a primavera se fez outono e o verão se fez inverno, basta olhar a natureza nos dias atuais), não compreende a diferença do bom ou do ruim, alias, está tudo misturado em nosso calendário semanal. Ela passa e leva tudo, girando ladeira abaixo como manda a regra, tomando todo tempo consigo, dias, meses e anos, sem distinção; uma constante monotonia em sua trajetória.
Assim a cada volta, estamos de volta numa velha nova semana, esperando de volta uma nova velha sexta-feira. E o tempo passa, e tudo passa.